O palco e o mundo


Eu, Pádua Fernandes, dei o título de meu primeiro livro a este blogue porque bem representa os temas sobre que pretendo escrever: assuntos da ordem do palco e da ordem do mundo, bem como aqueles que abrem as fronteiras. Como escreveu Murilo Mendes, de um lado temos "as ruas gritando de luzes e movimentos" e, de outro, "as colunas da ordem e da desordem".

sábado, 26 de setembro de 2026

Alguns oram às milícias; outros, à Nossa Senhora Aparecida


Corpos em pneus
pneus em chamas
chamas em preces
por mais incêndios
assim milicianos fazem desaparecer

Depois de setecentos mil mortos
chegou a vez de Nossa Senhora Aparecida

Corpos em cinzas
cinzas em votos
votos no país
de desaparecidos
assim milicianos fazem política

Botas nas gargantas
chegaram à voz de Nossa Senhora Aparecida

Protejamos as Águas
do mercúrio e do
data center
do latifúndio e da milícia
elas não cabem nas lagoas mínimas
dos brindes ao crime
que pastores e juízes
derramam em campanhas eleitorais

Protejamos a Senhora
ela é Nossa
não dos ianques
ídolos dos que vendem o país
traficando o corpo de mulheres negras

Milicianos brindam e quebram taças
querem catar os cacos
acham que se os enfiarem nas gargantas
das orações à Nossa Senhora Aparecida
finalmente transformarão a hemorragia
em hino nacional

Mas estão embriagados
cairão sobre os cacos

o vermelho de seu sangue
imprestável para a aurora

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