O palco e o mundo


Eu, Pádua Fernandes, dei o título de meu primeiro livro a este blogue porque bem representa os temas sobre que pretendo escrever: assuntos da ordem do palco e da ordem do mundo, bem como aqueles que abrem as fronteiras. Como escreveu Murilo Mendes, de um lado temos "as ruas gritando de luzes e movimentos" e, de outro, "as colunas da ordem e da desordem".

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domingo, 23 de janeiro de 2022

O Twitter, a pandemia e as informações falsas: uma retrospectiva de 2021

Eu não planejava fazer nenhuma retrospectiva do segundo ano da pandemia de covid-19. No entanto, na semana anterior àquela em que escrevo esta nota, surgiram vários tópicos no Twitter (uma rede social, é bom lembrar, de notável insociabilidade) sobre os duvidosos procedimentos dessa rede em relação à pandemia, especialmente a manutenção de mensagens e perfis de desinformação (sempre, nada coincidentemente, em apoio não só ao vírus, mas ao governo federal).

Entre eles, destaco #TwitterApoiaFakeNews, #TwitterCumplice, #TwitterOmisso, #TwitterVergonhoso, #TwitterApoiaMentira e #DerrubaMalafaia. O ano de 2022 começou com conflitos dentro do governo, com Jair Bolsonaro em disputa com a Anvisa por conta de vacinação de crianças (o que suscitou ameaças à vida dos servidores da Agência por parte de apoiadores do governo), com deputada federal bolsonarista divulgando dados pessoais, obtidos junto ao Ministério da Saúde, de médicos que defendem a vacinação infantil, entre outras questões que se refletiram na rede social. 

Campanhas que contaram com a participação de perfis críticos ao ocupante da presidência da república, como Desmentindo Bolsonaro, Tesoureiros, Sleeping Giants Brasil, A boca de lobo, Jairmearrependi, Bolsominions arrependidos. Elas levaram o Twitter a aplicar suas próprias regras e a suspender temporariamente os perfis dos bolsonaristas Luciano Hang e Silas Malafaia, o empresário e o pastor (ou o contrário, tendo em vista a intercambialidade entre foi e crédit, já vista por Heine) em 13 de janeiro de 2022. 


Essas mobilizações deram-se por causa da enorme presença de desinformação no Twitter no ano de 2021. Ela ocorre também em outras redes, e a Agência Aos Fatos sintetizou em gráficos os dados que ela checou sobre o coronavírus em 2021 em várias redes. 

O Twitter afirmou que apagou uma média de 7 tweets por hora de desinformação em relação ao covid-19 (segundo a versão brasileira da BBC News). Escrevo esta breve nota para apenas lembrar de alguns desses momentos do ano, que provavelmente ajudaram no prolongamento da pandemia, com ênfase na atuação de políticos. 

As campanhas contra as informações falsas sobre covid-19 acabaram levando à criação de um mecanismo de denúncia em 17 de janeiro de 2022, com a pandemia prestes a completar dois anos. 


Notem a falta de urgência da rede social em fazê-lo e o baixo e redondo número de 10% de denúncias acatadas. Talvez isso se devesse à benevolência com que poderosos são tratados. Donald Trump, é verdade, acabou sendo banido em 8 de janeiro de 2021, mas é incerto que isso teria acontecido se ele tivesse se reelegido, ou se alguma outra forma de permanecer no poder tivesse prosperado. 


O banimento ocorreu depois da tentativa de golpe do Estado nos EUA no início do ano, quando militantes trumpistas tentaram impedir a posse de Joe Biden. 
Dias depois, Jair Bolsonaro teve um tweet sinalizado pela rede social:

A desinformação sobre "tratamento" precoce de covid-19 tinha por base esse vídeo com Alexandre Garcia. No dia 24 de setembro, o jornalista, por sinal, seria demitido de sua emissora de televisão por insistir na indicação desse tratamento.

Bolsonaro, no entanto, poderia ter simplesmente usado como fundamento as orientações do próprio Ministério da Saúde, que havia defendido a mesma posição em 12 de janeiro, que também acabou sendo sinalizado pelo Twitter:


Note-se que, no momento em que escrevo esta nota, o Ministério da Saúde aprovou nota técnica de crítica à vacinação e elogio à hidroxicloroquina.

O Twitter, contudo, não marcou nem retirou tweets como estes, que vieram do filho deputado federal:



Escolhi apenas dois, de 19 de março e 6 de abril. Mais complexos foram os tweets que combinaram  a advocacia do "tratamento" com algum outro tipo de informação falsa. Em 31 de janeiro, vimos esta deputada federal fabular sobre o imaginário reconhecimento pelo Facebook da suposta efetividade do remédio que Jair Bolsonaro oferece a emas:


O filho deputado federal repetiu esse tweet com o nome dele no dia seguinte, acrescentando frases aleatórias com seu português alternativo ("Quantas vidas não foram perdida?"). 

A informação falsa veio do portal R7 e foi desmentida pela agência Aos Fatos ("Facebook não admitiu erro nem disse que hidroxicloroquina é eficaz contra Covid-19") em 4 de fevereiro.

Os tweets continuam lá, sem sinalização alguma.

Em 4 de abril, o tópico "Fraudemia" foi a primeiro lugar, reunindo perfis que negavam a existência de uma pandemia - uma das formas pelas quais o negacionismo da ciência tem se manifestado. 


Embora os números oficiais estejam provavelmente subestimados, seja por falta de notificações, seja por causa dos mortos por sequelas do covid-19 que não contaram entre as vítimas oficiais da doença, um dos motes da direita é pretender que estejam exagerados. Trata-se de outra forma de lutar contra a memória, além de apagar os registros e impedir não só o acesso, mas a própria existência de dados oficiais, neste complexo de ações e omissões que correspondem a uma das políticas de amnésia do atual governo militar.

Para atender à visão conspiratória que a direita precisa alimentar para inflamar seus seguidores e afastá-los do mundo, a pandemia foi atribuída à esquerda e à grande mídia: 


Muitos também a atribuem à China, aos comunistas, aos globalistas etc. É claro que o governo federal não possui responsabilidade alguma para esses perfis de propaganda.

Em abril, a abertura da CPI da Pandemia, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal depois de o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, ter tentado inconstitucionalmente impedi-la, gerou desespero nas hordas bolsonaristas, que se expressou em tweets que morreram dentro da bolha dos apoiadores do governo federal.  Vejam o comentário de Pedro Barciela:

 


Como é usual nas redes sociais da direita no poder, inúmeros tweets que configuram crime contra a honra, tentando enlamear Ministros do Supremo Tribunal Federal, foram escritos e retransmitidos, o que não configura novidade. O rebaixamento do debate público, seja por estratégia, seja por necessidade, é uma das táticas mais próprias da direita, tentando impedir que ideias mais complexas, mais próximas da realidade, possam ser ouvidas ou até mesmo concebidas. 

A quantidade de crimes contra a honra e de ameaça à vida dos Ministros foi tão grande que o Tribunal resolveu publicar esta nota em 9 de abril:


Como se sabe, a instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito é um direito das minorias no Parlamento; trata-se de um instrumento para que possam exercer atividades de fiscalização e investigação. A antidemocrática tentativa do presidente do Senado de esmagar a minoria, embora não pudesse encontrar acolhida judicial, encontrou eco na miríade de perfis bolsonaristas, que também ansiavam pelo "esmagamento" da CPI e seus membros, e tiveram de se contentar com a inundação de mensagens de ódio na internet.
Muitos relembram, nesses momentos, e reproduzem como um mantra da direita, com o objetivo de impedir ou intimidar o Judiciário na sua ação de controle dos atos do Executivo no sistema de freios e contrapesos, a ideia do então ministro da educação, o professor da Unifesp Abraham Weintraub, de prender os Ministros do Supremo Tribunal Federal. Este é um exemplo de 15 de abril, entre inúmeros. O tweet permanece intocado na rede social:


Lembro proposta foi apresentada em um reunião ministerial em 2020, que foi divulgada, com grande repercussão, depois de pedido de Sérgio Moro, ex-ministro da justiça, ex-magistrado, ex-professor de Direito da UFPR, autor de sentenças anuladas contra Lula e consultor investigado

Nesses momentos, lembramos que o bolsonarismo, enquanto, com o uso do 'Partido Militar", não consegue cooptar todas as instituições, faz uso desses efeitos de massa (terrivelmente inflados com os perfis automáticos e falsos) para constrangê-las. Muitos sabem, apesar dos silêncios cúmplices de certos meios de comunicação e de instituições, que o ocupante da presidência da república quis fechar o Supremo em 2020 e não encontrou apoio para isso nas Forças Armadas (relembro a matéria de Mônica Gugliano para a Piauí, "Vou intervir!"). O barulho criado é uma forma de fingir que há respaldo popular para o autoritarismo presidencial. 
Lembramos também que os apoiadores e aliados ainda existentes do ocupante da presidência não o são por acaso e ajudam-no a cumprir suas promessas e credo político; afinal, já pré-candidato, o então deputado federal vociferou: "E as minorias que se curvem!" (matéria de Lia Bianchini para o Brasil De Fato).
A estupefação foi grande com a criação da CPI, no entanto algo absolutamente corriqueiro em uma democracia; tratava-se de sinal de que o governo tinha muito a temer. Este portal de notícias da área de defesa e de apoio ao atual governo militar, depois de dois dias, ainda não tinha conseguido entender a nota do STF:

Entendo. "Constituição" e "leis", palavras presentes na curta nota do Tribunal, sobre os quais milhares e milhares de páginas já foram escritas na Teoria do Direito e na Teoria Política, devem ser realmente termos de difícil compreensão nesta era pós-golpe de 2016, ou até mesmo em qualquer tempo, se pensamos nos apoiadores do bolsonarismo.

Como o Twitter reagiu? É esta a questão da minha nota, e motivo pelo qual relembro . Pois bem: a rede social manteve no ar as mensagens que chamavam o STF de organização criminosa, cúmplice de bandidos e outras de teor análogo, como as que atacavam pessoalmente os Ministros; não as indico aqui, pois a fala do bolsonarismo é a do esgoto não tratado e a céu aberto. Lembro também o uso da retórica cristã, por alguma razão muito apreciada pelos fascistas, para demonizar o Tribunal e seus Ministros.

O Twitter, ao longo dos trabalhos da CPI, também manteve os incontáveis ataques aos membros oposicionistas da CPI da Pandemia, que incluíram, já que, como sempre digo, a homofobia é porta de entrada do fascismo, insultos homofóbicos e, uma vez que havia senadoras na oposição, misóginos, pois a misoginia é o pão diário dos perfis bolsonaristas. 

Em 22 de maio, a conjugação entre a nefasta política de saúde e a danosa política exterior gerou uma observação irônica do Embaixador chinês. O Ministério da Saúde propagandeou que "insumos do exterior" para a produção da vacina AstraZeneca/Fiocruz haviam chegado. 

Talvez a referência geograficamente vaga decorra do fato de que o governo e seus apoiadores ostentam um discurso antichinês. Yang Wanming comentou que o envio era "feito para amigos":

O Ministro da Saúde viu-se obrigado a agradecer publicamente ao Embaixador. A omissão da informação no tweet original, porém, não configura motivo para removê-lo ou sinalizá-lo. Lembro dele aqui somente porque ele provocou nova onda de mensagens racistas contra os chineses, escritas pelos perfis defensores do governo. Não as reproduzo aqui. Desde 2020 acusam a China de ter criado a pandemia (que, no entanto, não existiria, segundo esses mesmo perfis...) para matar o Ocidente (embora, segundo os mesmos, a doença não mate...), em alianças fantasiosas com Soros, o MST, Hollywood e Cuba.

As ofensas à China e aos chineses manifestam-se também no tocante à vacina Coronavac. Cito este porque veio de um assessor deste governo que, com muito tirocínio, costuma escolher pessoas incompatíveis com as áreas em que irão atuar. 

Esse tweet hostil a esse Estado estrangeiro acabou sendo citado na CPI da Pandemia. O assessor , que acabou apagando esse escrito (resgatado nesse momento, 28 de março, pelo perfil do Twitter Jairmearrependi), trabalha mais ou menos na área de Relações Internacionais. No caso, ele estava "trabalhando" em atacar um adversário político de Jair Bolsonaro, João Doria, um presidenciável do PSDB. Para esse fim eleitoreiro, usou um insulto ofensivo aos chineses... To add insult to injury...

Parecem ridículas, mas as narrativas do bolsonarismo dariam o roteiro de um filme C. As crises políticas e sociais nele implicadas vivem de braços dados com a crise estética. Daí, talvez, o combate à arte seja tão importante para correntes políticas desse tipo.

Outro ponto importante: não há bolsonarismo sem cu; trata-se, porém, para a direita, de um órgão infeliz, infausto, enfezado. A referência a esse termo central do bolsonarismo, escrito de diversas formas para burlar, talvez, os mecanismos automáticos da rede social (cool, coll, cú, c, kú etc.), gerou um número enorme de tópicos e discussões. Creio que se trata do principal termo gerador de discursos dessa corrente política, mais importante ainda do que "arma", ou melhor, o cu é uma arma verbal mais usada pelos bolsonaristas do que o significante "arma".

A CPI desconcertou os bolsonaristas, que soltaram os discursos do cu, que se acoplaram à pandemia. Em 10 de maio, o filho vereador brindou-nos com seu talento para os apelidos:

Em 28 de maio, o filho senador, fazendo coro a tentativa de Jair Bolsonaro escapar das investigações corajosamente invocando líderes evangélicos para defendê-lo:

Em 30 de maio, o filho vereador soltou mais esta:

O mesmo filho, em 9 de junho, voltou a acoplar à pandemia este significante central do bolsonarismo,  o cu, desta vez referindo-se a Lula. Percebe-se que os bolsonaristas já o entronizaram como presidente paralelo em exercício, ao ponto de Jair Bolsonaro tê-lo obedecido e usado máscara em 10 de março, depois do discurso, de repercussão mundial, em que o estadista tratou da recuperação dos direitos políticos após a anulação da persecução judicial que sofreu.

Além do óbvio medo da CPI e de Lula, a mensagem é notável por confirmar o reiterado deboche em relação a esta doença, embora não se compare à crueldade do ocupante da presidência da república imitando algumas vezes pessoas morrendo com falta de ar. Jair Bolsonaro fez isso pela primeira vez em 18 de março de 2021, o que deveria ser o suficiente para o impeachment, se não houvesse a cumplicidade do Poder Legislativo. Aliás, a falta de oxigênio em Manaus no fim de 2021 confirmou que o sufoco não é mais metáfora: tudo é literal no bolsonarismo, e agride. Sei, porém, que quem votou nele quer isso mesmo (é um dos tópicos reiterados dos bolsonaristas), admirador das práticas de desejar a morte dos adversários políticos, seja por doença, seja por fuzilamento, ou simplesmente massacres.

Em 16 de junho, o irmão vereador falou de discurso do irmão senador sobre a CPI desta forma:

Seria o caso de a rede social apagar esses tweets ou sinalizá-los? Provavelmente não, penso agora, embora devessem ser um problema em termos de decoro público para as casas parlamentares desses nobres legisladores. No Twitter, seria possível que eles postassem imagens do próprio órgão; caso o façam, pode-se sinalizar a imagem para que a rede social a marque com uma advertência de que se trata de imagem para "adultos". Em revanche, devemos notar que, curiosamente, o trocadilho usado não é coisa de adultos. 

As medidas de distanciamento social muitas vezes são alvo dos apoiadores do governo federal. Em 25 de maio, o deputado federal filho publicou isto, em contraponto à CPI da Pandemia:

A mensagem desinformativa sobre lockdown só faltou incluir o elogio supostamente sanitário às aglomerações com apoiadores promovidas pelo pai dele.

Em 6 de junho, tivemos um dos momentos mais constrangedores da comunicação oficial do governo brasileiro, que já mostrou dificuldade em compreender textos jornalísticos. Desta vez, graças a uma tradução errada, o governo chegou a conclusão ridiculamente irreal e insultuosa de que a revista liberal The Economist queria "eliminar" Bolsonaro. A Secretaria aproveitou para propagandear que "milhões de vidas" foram salvas:


Temos aí um bom exemplo de um curioso amálgama entre ignorância e vitimismo, tão forte na receita tóxica do bolsonarismo, pois ele precisa pretender o tempo todo de que o "sistema" persegue-o, com o fim de galvanizar seus apoiadores pelo uso da visão conspiratória do mundo. Afinal, a modesta ou devastada realidade não terá o condão de estimular quase ninguém a favor do governo. 
No tocante à alegação de milhões de vidas salvas, no dia 6 de junho de 2021 o país ultrapassou o número de 473 mil e quatrocentos mortos de covid-19. 
Era uma notícia falsa, pois, que a rede social acolheu.

Nessa dificuldade de leitura e de interpretação, o governo segue fielmente seu líder. Bolsonaro, como se sabe, não sabe nem identificar o título de um jornal numa página. Para mencionar um exemplo, em julho de 2018, o então candidato fez a ridícula confusão do Tribune de Genève com o Le Monde, só porque a seção internacional desse jornal suíço chamava-se, adequadamente, "Mundo", ou "Monde", em francês - nem era "O Mundo"... 

O eleitor dele votou nisto aqui:


Novamente, o amálgama de vitimismo e ignorância, em uma curiosa retroalimentação tóxica de que vive a comunicação bolsonarista. O Twitter não marcou como desinformação esses tweets do governo.

Em 9 de junho, os tweets de ataque ao Supremo Tribunal Federal, que, em geral, são mantidos pelo Twitter, levaram a Corte a fazer este pequeno fio:


Uma das desinformações recorrentes que os perfis (muitos aparentemente automatizados) é a de que o STF impediu "Bolsonaro" de "agir" na pandemia. Na verdade, ele apenas impediu o governo federal de impedir os Estados e Municípios de tomarem suas medidas de prevenção, uma vez que a Constituição de 1988 determina que a saúde é uma área de competência comum da União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Poder-se-ia pensar que mesmo o bolsonarista mais idiota já teria notado que não existem apenas hospitais públicos federais, mas também estaduais e municipais; ou que até o bolsonarista mais raso tenha alguma noção de que não é a União que comanda o serviço de saúde do Município onde ele mora, ou do Estado, já que existe a autonomia desses entes. Depois que vi uma bióloga doutoranda em certa universidade federal, que, ademais, trabalha na área de saúde pública, repetir essa desinformação bolsonarista, percebi que esse tipo de estupidez pode acometer até pessoas que trabalham nessa área e deveriam saber mais do que os outros. Quando expliquei, parece que entendeu, e até acabou percebendo que o financiamento da ciência (ela recebe bolsa) diminuiu drasticamente (e piorará) com o obscurantismo deste novo governo militar.

Em 28 de julho, após outra série de ataques, o STF voltou a defender-se:

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É de se perguntar quem está a financiar essas campanhas massivas de desinformação, tendo em vista os perfis automatizados, em mais um milésimo exemplo do capital conspirando contra a democracia no país.

Também são mantidos pela rede social tweets que chamam a pandemia de fraude, ou "fraudemia", e atacar não só a vacinação como as máscaras, em geral chamadas de "focinheiras". Um exemplo é esta síntese pró-pandemia de 11 de junho


Quando lecionava Direito Internacional Público, gostava de lembrar que os grandes problemas da humanidade passavam por esse ramo do Direito. Como, no campo jurídico, o bolsonarismo é isolacionista, em uma afetação de nacionalismo (num patriotismo que só chega até a página 2, até visitar a CIA, bater continência para a bandeira com estrelinhas e gastar todo o inglês dizendo "I love you" para o chefe de Estado estrangeiro que ele chamava de "noivo"), a recusa ao Direito Internacional e a tribunais internacionais conjuga-se à cegueira provinciana de negar a dimensão global de questões como a saúde pública. 

O tweet também foi mantido pela rede social, assim como outros da categoria "fraudemia".

Araraquara foi a primeira grande cidade brasileira a impor um lockdown contra a pandemia. O prefeito, Edinho Silva, é do PT. Uma rádio bolsonarista divulgou um áudio de whatsapp de autenticidade jamais confirmada afirmando que as pessoas, em consequência, estavam a passar fome e a devorar os animais domésticos.

Cito o Congresso em Foco sobre o imbróglio. O coronel da PM Ricardo Mello Araújo, estava no programa e preside a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp) e acusou o prefeito de ser responsável pelo "caos na cidade":


Ele já coordenou ações de envio de alimentos à cidade de Araraquara durante a pandemia em um evento aproveitado politicamente pelo presidente da República Jair Bolsonaro. 

Mello é um dos nomes mais próximos a Bolsonaro no estado e foi colocado pelo presidente da República no comando do entreposto, que é responsável por uma parte significativa do abastecimento de alimentos da principal cidade do país. Ele concedeu a entrevista à Jovem Pan (rádio que também é alinhada ao discurso conservador do presidente da República), mas não indicou se investigou a procedência do áudio.


A Prefeitura negou a história, mas a desinformação propagada pela rádio governista permaneceu e serviu para alimentar diversos tweets, que a rede social manteve, como este de 21 de junho:


Para ressaltar a postura do Twitter em termos de incentivo à desinformação, esse perfil bolsonarista foi recentemente "verificado" pela rede social com o selo azul após o nome, o que significa que a conta é de "interesse público" e autêntica. No caso, o interesse público foi negado, desvirtuado, pois convertido em mero interesse do governo.

Tratou-se de mais um dos casos em que o jornalismo "funcionou" renunciando ao próprio trabalho, pois não checou fontes e não tentou ouvir outras partes. E mais uma prova de que esses serviços de mensagem, que é aquilo que a maior parte da população conhece como internet, assim como algumas redes sociais cujos aplicativos podem ser baixados no celular, não configuram uma esfera pública.

No plano federal, a CPI da Pandemia prosseguiu seus trabalhos, encontrando indícios de tentativa de corrupção bilionária Ministério da Saúde militarizado, o que gerou uma nota corporativista do Ministério da Defesa atacando o Senado Federal. Celso Rocha de Barros ironizou o episódio assim:


Era o que dizíamos que ocorreria com a volta explícita dos militares ao poder. No Twitter, veio sem nenhum impedimento da rede social nova onda de ataques à CPI e seus membros e, especialmente, ao Senador Omar Aziz, alvo da nota dos militares. 

Em 7 de setembro, irrompeu a tentativa de golpe via apoiadores do governo federal, que felizmente falhou de forma grotesca. Porém, simultaneamente ele deu certo, pois o governo prossegue. A direita tem um habeas-corpus informal para ameaçar a democracia.

Desde junho eu lia tuítes que conseguiam usar a transfobia como poética de mensagens contra a vacinação. Alguns vídeos chegaram a combinar essas duas linhas execráveis, que a direita tomou para combate contra os brasileiros. Em 26 de setembro, um vereador mineiro resolveu pegar carona na palavra-insulto "transvacinado":


Nesse momento de pequeneza ética e política, além da campanha contra a saúde pública (que fere o decoro mínimo que se deveria esperar de um "homem público"), nota-se a "transfobia recreativa" (faço uma analogia ao "Racismo recreativo", de Adilson José Moreira). Esses tuítes, assim como outros que vi que juntavam campanha contra a vacinação com transfobia, não foram apagados pela rede social.

O tuíte ocorreu depois de a pessoa em questão ter sido barrada no Trem do Corcovado, o que gerou estes, com bom humor e mau português (nota: parece que as pessoas não suportam a voz passiva sintética do "vacinou-se', "vacinei-me", com os efeitos de apagar o trabalho do profissional de saúde e de colocar-se sempre como o sujeito ativo da ação; exemplo típico, bem neoliberal, dos nefastos usos da língua em redes sociais, a charanga propagandística de chamar os holofotes para si):

Outro alvo da direita na campanha contra a saúde pública foi o controle de vacinação. A única espécie (quase viva) que a direita resolveu proteger, em meio a campanhas, projetos de lei, propagandas em prol da devastação ambiental, da invasão de terras indígenas e quilombolas, da destruição de rios e cavernas, foi o vírus. Transforma-se o amador na cousa amada, ou a cousa foi amada por ser o reflexo de si mesmo no lago? Difícil determinar o que gerou o amor da direita pelo vírus.

O tratamento precoce (os remédios para malária, para piolho etc.) continuou sendo advogado pelos defensores do governo durante os trabalhos da CPI da Pandemia. Neste tweet do senador filho do ocupante da presidência, em 29 de setembro, vemos esta tentativa de didatismo:

Outro tweet que foi mantido, e sem sinalização. 
Em 6 de outubro, foi publicado talvez o tweet mais grave (em termos de ética política) destes que escolhi. A CPI da Pandemia ouviu, a partir de 26 de setembro, representantes, parentes de mortos e sobreviventes de covid-19 que se trataram nos hospitais do plano de saúde Prevent Senior, cujos dirigentes têm acesso às autoridades federais e foram por elas elogiados por seus protocolos de atendimento. 
Os depoimentos afirmaram que o plano de saúde diminuía o oxigênio disponível para os pacientes, que considerava que "óbito também é alta", além de ministrar o "kit covid".
O relatório da CPI, publicado em 26 de outubro de 2021, teceu estas considerações sobre o caso:
Em alguma medida, esse Mal em um nível intelectual foi visto aqui. Brasileiros e brasileiras formados em excelentes universidades, muitos com estudos realizados em outros países.
É preciso procurar muito na história do Brasil para encontrar algo similar ao que aconteceu nos corredores da Prevent Senior. Talvez apenas seja comparável aquilo que se deu no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena, episódio tenebroso da história Brasileira.
É preciso distinguir entre a empresa e os seus dirigentes. Isso me parece importante em razão da quantidade de beneficiários que são atendidos. Milhares, milhões, de brasileiros dependem dos serviços privados de saúde.
Além disso, parece fundamental que os Conselho Regionais de Medicina, Ministérios Públicos Estaduais e ANS façam uma grande devassa, pois outras operadoras de planos de saúde e hospitais públicos e privados podem ter abraçado a insânia comandada pelo Presidente da República.
Olhamos com mais atenção o caso da Prevent Senior, empresa que fez parte do Pacto, a associação sinistra na cúpula do governo brasileiro que, sob o lema “O Brasil não pode parar”, resultou na morte de milhares de brasileiros. (p. 986)
No entanto, houve quem defendesse os procedimentos, que não tinham aprovação em nenhum Conselho de Pesquisa, e que o relatório compara ao "Holocausto brasileiro", o título do livro de Daniela Arbex sobre o Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena:


Trata-se de uma deputada estadual de São Paulo (a mais votada desse Estado, aliás), professora da USP e uma das advogadas do golpe contra Dilma Rousseff. Não imaginemos que se trata de ignorância. A USP, naturalmente, também possui conselhos de ética em pesquisa, que são órgãos interdisciplinares que incluem até profissionais do Direito (eu mesmo já fui membro de um). A Resolução n. 466 de 12 de dezembro de 2012,  do Conselho Nacional de Saúde, regula esses conselhos. A eticidade de uma pesquisa envolvendo seres humanos envolve diversas exigências; cito algumas, que não são compatíveis com deixar os pacientes abandonados "à própria sorte", como diz o Relatório da CPI:

III.1 - A eticidade da pesquisa implica em:
a) respeito ao participante da pesquisa em sua dignidade e autonomia, reconhecendo sua vulnerabilidade, assegurando sua vontade de contribuir e permanecer, ou não, na pesquisa, por intermédio de manifestação expressa, livre e esclarecida;
b) ponderação entre riscos e benefícios, tanto conhecidos como potenciais, individuais ou coletivos, comprometendo-se com o máximo de benefícios e o mínimo de danos e riscos;
c) garantia de que danos previsíveis serão evitados; e
d) relevância social da pesquisa, o que garante a igual consideração dos interesses envolvidos, não perdendo o sentido de sua destinação sócio-humanitária.

A dignidade humana, valor básico dos direitos humanos, passou muito longe. O Relatório lembra muito oportunamente do Código de Nuremberg, uma das referências da Resolução, criado em 1947 justamente por causa das experiências dos médicos nazistas em campos de concentração. O primeiro princípio do Código guia a legislação de bioética:
O consentimento voluntário do ser humano é absolutamente essencial. Isso significa que as pessoas que serão submetidas ao experimento devem ser legalmente capazes de dar consentimento; essas pessoas devem exercer o livre direito de escolha sem qualquer intervenção de elementos de força, fraude, mentira, coação, astúcia ou outra forma de restrição posterior; devem ter conhecimento suficiente do assunto em estudo para tomarem uma decisão.
Dispensar a exigência do consentimento voluntário livre e esclarecido em nome da retórica da guerra, como fez a deputada estadual, equivale a justificar os experimentos nazistas em campos de concentração.
Ficamos surpresos com esse tipo de apreço que os bolsonaristas dão à vida humana? Óbvio que não, tudo estava bem avisado durante a campanha. Um dos momentos mais inesperados foi esta manifestação de Mike Godwin, autor da célebre "Lei de Godwin", crítica da banalização da acusação de nazismo: 


Foi o especialista que falou. 
De volta a 2021 e procedimentos científicos duvidosos, a campanha presidencial contra a vacinação incluiu a fala ao vivo sobre HIV "propiciado" por vacina. O filho deputado federal defendeu a declaração presidencial, que usava relatórios falsos do governo do Reino Unido, com uma reportagem de um ano atrás neste tweet de 26 de outubro:

Ademais, aquela notícia de 2020 não corrobora a afirmação do ocupante da presidência da república... O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, explicou que a afirmação era falsa. A pedido da CPI, abriu-se investigação no Supremo Tribunal Federal contra o ocupante da presidência por mais esse passo da campanha oficial contra a saúde pública. O YouTube, o Facebook e o Instagram retiraram do ar o vídeo. Mas tweets como este continuam no ar.

A campanha governamental contra a vacinação foi secundada pelos perfis bolsonaristas, que espalhavam notícias/boatos de que as vacinas causavam de bursite a lúpus, passando por enfarto e herpes. Este tweet do perfil de assuntos de defesa, de 4 de dezembro, é um exemplo:
Desta vez, os apoiadores do governo pretendem que o presidente "liberal na economia" adotaria um discurso contra o grande capital (as empresas farmacêuticas), enquanto a oposição, "comunista" segundo eles, "ama" essas empresas. Entre esses comunistas, estaria até o jornal O Globo. Essas torções  cotidianas do pensamento parecem ter o efeito não de propriamente contar algo falso, mas o de fazer a noção de verdade perder o sentido, como diria Hannah Arendt.

Em 10 de dezembro, destacou-se o tópico #SomosTodosNãoVacinados, uma espécie de grito de orgulho antivacinação. O Ministério da Saúde havia sido invadido no dia anterior por um "hacker interno", com login e senha do próprio ministério, o que gerou este tipo de comentário debochado, uma vez que os dados federais de vacinação ficariam dias fora do ar, inviabilizando em muitos Estados (não em São Paulo, que tem seu aplicativo próprio) a possibilidade de efetivar o controle da vacinação na entrada de locais e eventos;

Chama a atenção como a extrema-direita, em mais um nível de deboche (metalinguístico), apropria-se ou inspira-se em um slogan da esquerda (como o "somos todos judeus alemães", de 1968).

O hacker veio impedir o acesso aos dados do Ministério, que coincidentemente o governo não queria realmente divulgar. O apagão das informações compromete seriamente a saúde pública e corresponde a mais um capítulo da destruição do Estado brasileiro operada pelos bolsonaristas. Quatro deputados federais do PT (Alexandre Padilha, Bohn Gass, Gleisi Hoffmann e Reginaldo Lopes) propuseram ação no Supremo Tribunal Federal denunciando o Ministro Marcelo Queiroga por prevaricação. A incúria do governo brasileiro tem impacto global. Cito a matéria de Jamil Chade sobre as preocupações da Organização Mundial da Saúde: "sem um mapeamento eficaz da pandemia no Brasil, o temor é de que países da região possam ficar ainda mais vulneráveis".

Em 11 de dezembro, esta deputada federal governista, que censura os discursos dos colegas que caracterizam o ocupante da presidência de "genocida", foi bastante franca:

Este tweet, evidentemente, deve ser preservado. Serviria como um elemento a ser discutido em um improvável julgamento sobre crimes de lesa-humanidade do atual governo.

A deputada insistiu na posição, em 30 de dezembro, ao afirmar que os passes sanitários são "inúteis", elogiando o ministro da educação por sua participação na campanha oficial contra a vacinação:


A medida do ministro caiu no Supremo Tribunal Federal, mas a informação da "inutilidade" dos passes continua no Twitter, sem sinalização alguma.

Esse trabalho conjunto continua: no primeiro mês de 2022, tanto a Ministra Damares Alves, de Direitos Humanos, quanto o Ministro Marcelo Queiroga, que continua à frente da Saúde (e que contraiu, memoravelmente, covid-19 durante a estadia em Nova Iorque durante a abertura dos trabalhos da Assembleia-Geral da ONU), espalharam desinformação sobre covid-19. Aqui abaixo, a propósito da vacinação infantil, combatida pelos ministros, copio um desmentido do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo que várias pessoas postaram, algumas em resposta a tweets da Ministra; destaco o tweet deste médico, Gerson Salvador, para destacar que mensagens como esta também foram bastante veiculadas, e não apenas as de desinformação:




A propósito, a Câmara Técnica Assessora de Vacinação Covid-19, criada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), manifestou-se em 17 de dezembro de 2021 a favor da vacinação infantil, e contrária à consulta popular pela internet sem método e com prazo reduzidíssimo que o Ministério da Saúde acabou fazendo:
A Câmara Técnica também recomenda a vacinação contra covid para crianças e faz sugestões de que as tratativas para essa recomendação e aquisição de vacinas pelo Ministério da Saúde sejam implementadas. A maioria não concorda com a realização de fóruns que envolvam não especialistas em imunizações, uma vez que esse grupo consultivo já é formado amplamente por especialistas, cientistas, representantes de entidades médicas, CONASS e CONASEMS. Reforçam que a CTAI é contra consulta pública sobre o assunto em questão.
Para terminar esta breve nota (curtíssima para o assunto que resolvi abordar, mesmo ligeiramente, mas cumpre a finalidade de externar o que consegui observar), lembro que estas campanhas de desinformação possuem um efeito real: provocar mais mortes. Deisy Ventura, Fernando Aith e Rossana Reis, em "Crimes against humanity in Brazil's covid response - a lesson to us all", fizeram notar que o ocupante da presidência da república continuou espalhando desinformação mesmo após o Relatório da CPI, e que o tratamento da pandemia no Brasil ameaça a saúde global. A responsabilidade das redes que participam deste ecossistema da desinformação, à revelia dos próprios critérios de uso, creio que também deva ser apurada.


quarta-feira, 31 de março de 2021

O primeiro ano da pandemia, uma retrospectiva

Tenho feito desde o começo neste blogue uma retrospectiva anual, sob minha perspectiva pessoal, no final do ano ou no início do seguinte. Desta vez, publico-a agora, no fim de março, porque não estava claro para mim quando o ano acabou, se é que isso de fato ocorreu.
Como 2020 foi o primeiro ano da pandemia, resolvi escolher, anteontem, a data do 15 de março, pois foi o aniversário da data em que entrei em isolamento em razão do vírus, que, por sinal, contraí em julho, quando tive de deixá-lo para tentar salvar meu gato, Fellini, que acabou morrendo. Descobri assim como os ambientes fechados com ar condicionado, de fato, são muito perigosos e exigem uma proteção redobrada.
A pandemia nunca esteve pior no Brasil, que se tornou o lugar mais perigoso do planeta (verão abaixo que selecionei uma notícia que afirmava que Bolsonaro era o homem mais perigoso do mundo). Todavia, o restabelecimento de um perfume de Estado de Direito no caso de Lula, afastado das eleições de 2018 pelo golpe que contou tanto com o Judiciário e os meios de comunicação, parece indicar que um outro ano começou, nada menos do que o segundo da pandemia.
Nesse golpe, o papel do "powerpoint" mal feito foi, curiosamente, emblemático. Tentei, em agosto do ano passado, emular o estilo visual do Ministério Público Federal em uma conversa com as professoras Ludmila Franca-Lipke e Adriana Novaes, sem lograr sucesso. 
Além do célebre "powerpoint" da Lava-[a-]Jato, que tantos corações conquistou com suas convicções, outro, ainda mais horrivelmente realizado, logrou angariar ainda mais apoio: o do programa de governo da chapa Bolsonaro/Mourão. 
Ao contrário de outros candidatos, a chapa não chegou realmente a elaborar um plano de governo, mas uma série de slides meio desconexos para projeção em alguma tela branca cognitiva. No entanto, e talvez em razão do caráter tosco do documento, parece-me que o governo (e por isso é equivocado chamá-lo de desgoverno) está a evidentemente a guiar-se por ele, seja por hipérbole, seja por antítese, seja por paradoxo, ou outras figuras de linguagem.
Ontem revi esse programa, pois tentava me lembrar do que se planejava em relação à saúde. Tratava-se de praticamente nada, o que já anunciava a parte de inação na resposta à pandemia, embora não a da estratégia de propagação do vírus. 
Veio-me então a ideia de recortar frases (como elas não chegam realmente a formar nenhum todo no tal "programa", não há perda real de conteúdo) e associar cada uma às realizações concretas deste governo no primeiro ano da pandemia.
Quem diria que esta gestão já tinha programado o ano passado quase inteiro neste documento da campanha eleitoral? Lembro que os ingênuos achavam que Bolsonaro não colocaria em prática tudo aquilo que sempre declarou em sua carreira... E por essa razão nele votaram!
Recortei as frases como estavam, com um erro de concordância e a prática heterodoxa de usar espaço antes do sinal de dois pontos. Evidentemente, fatos importantes relacionados ao governo ficaram de fora, o que confirma que a política nunca fugirá aos poderes imprevisíveis da Fortuna.  


Nosso conjunto de Leis será o mapa e a BÚSSOLA serão os princípios liberais democratas para navegarmos no caminho da prosperidade.

15 de março de 2020: "Bolsonaro ignora coronavírus e participa de manifestação contra Congresso e STF: Mesmo após desestimular atos, presidente cumprimentou manifestantes e tirou selfies em frente ao Palácio do Planalto", no Brasil de Fato.


 Precisamos construir uma sociedade que estenda a mão aos que caírem

18 de março de 2020: "Jair, der unerschütterlich Dumme: Brasiliens Präsident ist grad der
gefährlichste Mann der Welt: Brasiliens Präsident Jair Bolsonaro hält das Virus für eine Verschwörung. Seine Anhänger gehen auf die Strasse – sie sind bereit, zu sterben.", de Philipp Lichterbeck, para o Luzerner Zeitung.


Facilitar o comércio internacional é uma das maneiras mais efetivas de se promover o crescimento econômico de longo prazo.

18 de março de 2020: "'Culpa é da China', diz Eduardo Bolsonaro; embaixador chinês repudia e exige desculpas: Filho do presidente Bolsonaro, deputado afirmou que China 'preferiu esconder algo grave' sobre coronavírus. China é principal parceiro comercial do Brasil desde 2009, segundo Itamaraty.", de Filipe Matoso e Ana Krüger para o G1.

    
Ampla requalificação da força de trabalho para as demandas da “nova economia” e tecnologias de ponta (4ª revolução industrial).

23 de março de 2020: "Em nota, entidades ligadas ao meio jurídico denunciaram o que julgam ser um golpe de Estado em curso no Brasil, por conta de ações do governo Bolsonaro como a edição da Medida Provisória 927. Entre outros pontos, a MP autoriza a suspensão dos contratos de trabalho por até quatro meses, sem pagamento de salários. Segundo a nota, a edição da MP 'revela clara tentativa de estender a calamidade pública que já se instaura em razão da covid-19 às pessoas que vivem do trabalho, retirando-lhes a possibilidade de sobrevivência física'.", em "Associações de juristas denunciam golpe de Estado por trás de medidas de Bolsonaro: Segundo entidades, presidente e equipe conduzem país a caos social e risco de genocídio com atropelo de direitos essenciais para justificar assalto autoritário ao poder", na Rede Brasil Atual.


Devemos ser fraternos! Ter compaixão com o próximo!

25 de março de 2021: "Bolsonaro says he 'wouldn't feel anything' if infected with Covid-19 and attacks state lockdowns:  Brazil’s president uses national televised address to dismiss state-based health measures ‘scorched earth’ tactics", por Tom Philips para The Guardian.


Todo indivíduo deveria ter as condições de fazer escolhas que permitam preservar sua vida [...]

27 de março de 2021: "A pessoa, principalmente a mais simples, fica sem saber o que fazer. E Bolsonaro tenta convencê-la de que a culpa é dos governadores, que prejudicam a economia e fabricam o caos. Mestre das narrativas, ainda convence muita gente. A ciência não está do lado dele, contudo. Os governadores (nem todos, porque alguns vão muito mal) estão, de modo geral, aplicando o que se sabe para reduzir os danos das falas presidenciais, da descoordenação do Ministério da Saúde e de problemas que muitos estados e cidades enfrentam na ponta: faltam testes, leitos, pessoal e, sobretudo, informação.", em "Pesquisadores de Oxford projetam 478 mil mortes por covid-19 no Brasil", de Sylvio Costa para o Congresso em Foco.


Saliente-se que as Forças Armadas do Brasil tem uma História que nos orgulha.

31 de março de 2020: "Capitão reformado do exército, Bolsonaro é um defensor do regime militar que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985. O golpe inaugurou uma ditadura que durou 21 anos, período em que o país teve cinco presidentes militares. Em seu momento de maior repressão política, o regime fechou o Congresso Nacional e as assembleias estaduais.", em "Bolsonaro se refere a aniversário do golpe de 64 como 'dia da liberdade'", no Diário de Pernambuco.


Todo cidadão, para gozar de seus plenos direitos, deve obedecer às leis e cumprir com seus deveres (não matar, não roubar, não participar de falso testemunho, não sonegar impostos, etc.).

14 de abril de 2020: "O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, demitiu nesta segunda-feira (13) o
diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Olivaldi Alves Borges de Azevedo. A demissão aconteceu após o programa Fantástico, da TV Globo, exibir uma reportagem sobre uma operação de combate ao garimpo ilegal em terras indígenas que foi coordenada pelo órgão ambiental, especificamente pela diretoria de Olivaldi.", em "Salles demite diretor do Ibama após operação contra garimpeiros ilegais", de João Frey, para o Congresso em Foco.


Todos esses objetivos não valem sem resgatar a fraternidade, o respeito ao próximo, a cidadania, a responsabilidade com os mais fracos e vulneráveis.

20 de abril de 2020: ""Não sou coveiro", diz Bolsonaro ao ser questionado sobre mortes por Covid: Presidente respondeu a uma pergunta de um jornalista sobre o aumento do número de mortes pelo novo coronavírus", de Ingrid Soares para o Correio Braziliense.


Tipificar como terrorismo as invasões de propriedades rurais e urbanas no território brasileiro.

25 de abril de 2020:  "FLÁVIO BOLSONARO FINANCIOU e lucrou com a construção ilegal de prédios erguidos pela milícia usando dinheiro público. É o que mostram documentos sigilosos e dados levantados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro aos quais o Intercept teve acesso." em "Pica do tamanho de um cometa", de Sérgio Ramalho para The Intercept Brasil


SAÚDE E EDUCAÇÃO: eficiência, gestão e respeito com a vida das pessoas

28 de abril de 2020: "'E daí? Quer que eu faça o quê?', diz Bolsonaro sobre mortes por covid-19", no Congresso em Foco.


Atualmente, a Nação olha para as Forças Armadas como garantia contra a barbárie.

7 de maio de 2020: "Em entrevista exclusiva à CNN nesta quinta-feira (7), a secretária de Cultura, Regina Duarte, minimizou a ditadura afirmando que 'sempre houve tortura e que não quer arrastar um cemitério'. Após a fala, Regina Duarte desconversou sobre o tema, cantando trecho do jingle da Copa de 1970.", em "Regina Duarte minimiza ditadura e interrompe entrevista à CNN; veja íntegra", na CNN.


Após 30 anos em que a esquerda corrompeu a democracia e estagnou a economia, faremos uma aliança da ordem com o progresso: um governo Liberal Democrata.

30 de maio de 2020: “'A comparação feita pelo ministro Abraham Weintraub é, portanto, totalmente descabida e inoportuna, minimizando de forma inaceitável aqueles terríveis acontecimentos, início da marcha nazista que culminou na morte de 6 milhões de judeus, além de outras minorias', condenou a Comunidade Israelita do Brasil.", em "Judeus se revoltam com comparações ao nazismo feitas pelos bolsonaristas: Basta", de Édson Sardinha para o Congresso em Foco.


Ninguém será perseguido, todos terão seus direitos respeitados. Todavia, investigações não serão mais atrapalhadas ou barradas.

5 de junho de 2020: "Serviço de espionagem paralelo de Bolsonaro é atentado contra a Constituição: A análise é do cientista político Jorge Rubem Folena de Oliveira, advogado e membro do Instituto dos Advogados Brasileiros. Em entrevista à Rádio Brasil Atual, Folena afirmou que o presidente está construindo serviço de espionagem privado o que vai contra os princípios da Constituição. Para o especialista, Bolsonaro não traz paz para o país.", na Rede TVT


Transparência e Combate à Corrupção são metas inegociáveis.

8 de junho de2020: "Governo amplia sigilo de pareceres e muda regras de transparência: CGU passa a ocultar posição de ministérios para orientar vetos ou sanção da Presidência a projetos aprovados no Congresso", de Francisco Leali para O Globo.


Um Brasil de diversas opiniões, cores e orientações.

16 de junho de 2020: "Fundação Palmares censura biografias de lideranças negras históricas em seu site", de Gustavo Fioratti, Nataly Simões e Pedro Borges, no Combate ao Racismo Ambiental.


SEGURANÇA E COMBATE À CORRUPÇÃO : enfrentar o crime e cortar a corrupção.

18 de junho de 2020: "Cartaz com 'AI-5' é encontrado em casa onde Queiroz foi preso: Cartaz estava ao lado de bonecos do mafioso Tony Montana, do filme Scarface. Queiroz é investigado por participação em suposto esquema de 'rachadinha' na Alerj à época em que Flávio Bolsonaro era deputado estadual. G1 tenta contato com defesa de Queiroz", no G1.


Tolerância ZERO com o crime, com a corrupção e com os privilégios.

19 de junho: "M. Weintraub était sous pression depuis des semaines, poursuivi en justice pour racisme, injures et diffusion de « fake news ». Jusqu’au bout, Jair Bolsonaro a pourtant tenté de sauver de son fidèle allié – en vain. « La confiance, ça ne s’achète pas, ça s’acquiert », a affirmé jeudi M. Bolsonaro, dans une vidéo diffusée sur les réseaux sociaux annonçant le départ de son ministre, avant d’échanger une fraternelle accolade avec son « partner in crime ».", em "Au Brésil, Bolsonaro se résout à se séparer de son sulfureux ministre de l’éducation", por Bruno Meyerfeld para o Le Monde.


Recursos Naturais e Meio Ambiente Rural

23 de julho de 2020: "Bolsonaro exibe caixa de cloroquina para emas no Palácio da Alvorada", no Uol Notícias.


A Justiça poderá seguir seu rumo sem interferências políticas e isso deverá acelerar as punições aos culpados.

Agosto de 2020: "Entre a decisão de Bolsonaro de intervir no STF e o conselho apaziguador de Heleno, deu-se um debate sobre como a intervenção poderia acontecer legalmente. Apesar da brutalidade autoritária de uma intervenção, havia a preocupação de manter as aparências de uma medida dentro da lei. [...] Os participantes do compromisso das 10 horas – os ministros André Mendonça (Justiça) e Fernando Azevedo (Defesa), além de José Levi, titular da Advocacia-Geral da União – se incorporaram à discussão de como dar legalidade a uma eventual intervenção. A conversa girou em torno do artigo 142 da Constituição." em "Vou intervir! O dia em que Bolsonaro decidiu mandar tropas para o Supremo", de Monica Gugliano para a Revista Piauí.


Ameaças digitais já são presentes.

4 de agosto de 2020: "Por que os brasileiros deveriam ter medo do gabinete do ódio: O presidente Jair Bolsonaro e seus aliados têm espalhado o ódio online contra as instituições que protegem a democracia. Agora, essa cólera está transbordando para as ruas.", de Patrícia Campos Mello para o The New York Times.


SEGURANÇA E COMBATE À CORRUPÇÃO : enfrentar o crime e cortar a corrupção.

14 de agosto de 2020: "Prisão de Queiroz completa dois meses e expõe indícios de crimes da família Bolsonaro: Após detenção do ex-assessor de Flávio Bolsonaro, vários pagamentos suspeitos à família do presidente vieram à tona", no Brasil de Fato.


Somos defensores da Liberdade de opinião, informação, imprensa, internet, política e religiosa!

24 de agosto de 2020: "Um dia depois de dizer a um repórter que desejava "encher a boca" dele de "porrada", Jair Bolsonaro (sem partido) voltou hoje a fazer um ataque à imprensa e afirmou que, se contaminados pela covid-19, jornalistas têm menos chances de sobreviver do que ele, o presidente da República", na matéria "Bolsonaro diz que jornalistas têm mais chances de morrer de Covid: 'Bundão'", de Hanrrikson de Andrade e Rafael Bragança para o Uol Notícias


Os frutos de nossas escolhas afetivas têm nome: FAMÍLIA! Seja ela como for, é sagrada e o Estado não deve interferir em nossas vidas.

20 de setembro de 2020: "Ministra Damares Alves agiu para impedir aborto em criança de 10 anos:
Enviados da pasta tentaram persuadir conselheiros tutelares e são suspeitos de vazar nome da vítima", de Carolina Vila-Nova para a Folha de S.Paulo.


Este é um país de todos nós, brasileiros natos ou de coração.

30 de setembro: "No momento em que o mundo supera 1 milhão de mortes por Covid-19, o Brasil ultrapassa a marca de mil mortos entre dois de seus povos mais atacados: os indígenas e quilombolas. Até esta quarta-feira (30), segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), foram 835 mortos pelo novo coronavírus em 158 etnias. A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), por sua vez, já registra 166 mortes nos quilombos. [...] Entre os povos tradicionais e originários, a falta de políticas de enfrentamento à doença torna seus efeitos ainda mais devastadores.", em "Brasil já tem mais de 1.000 indígenas e quilombolas mortos por Covid-19", de Márcia Maria Cruz para De Olho nos Ruralistas.


Além de aprofundar nossa integração com todos os irmãos latino-americanos que estejam livres de ditaduras, precisamos redirecionar nosso eixo de parcerias.

8 de outubro de 2020:  "O presidente Jair Bolsonaro atacou publicamente o presidente da Argentina, Alberto Fernández. Em live transmitida na noite desta quinta-feira (8), Bolsonaro afirmou que os argentinos 'merecem' o governo que elegeram. A vice-presidente do país é Cristina Kirchner, vice de Fernández. Bolsonaro se referiu aos dois como 'esquerdalhas'." em  "'Povo argentino, lamento. É o que vocês merecem', diz Bolsonaro sobre Fernández", de Marina Oliveira para o Congresso em Foco.


Abandonando qualquer questão ideológica, chega-se facilmente à conclusão que a população brasileira deveria ter um atendimento melhor, tendo em vista o montante de recursos destinados à Saúde.

21 de outubro de 2020: "Em declaração postada nas redes sociais, o presidente afirmou que não vai firmar acordo por nenhuma vacina não autorizada pela Anvisa e que o povo brasileiro não será 'cobaia'. Ainda chamou a CoronaVac de 'vacina chinesa de João Doria'", em "Bolsonaro desautoriza acordo de Pazzuello e diz que não comprará CoronaVac", no Uol Notícias.


Liberdade para as pessoas, individualmente, poderem fazer suas escolhas afetivas, políticas, econômicas ou espirituais.

23 de outubro de 2020: "Governo brasileiro se recusa a assinar documento a favor de pautas LGBTs em reunião do Mercosul", de Caê Vasconcelos para a Ponte.


[...] heróis brasileiros lutaram contra o Nacional Socialismo na Segunda Guerra Mundial.

10 de novembro: "Plano de Mourão para Amazônia é mistura de Golbery, Göring e Borat: Tese nazista do ‘espaço vital’, delírios sobre cobiça estrangeira e mentira sobre ONGs adornam Powerpoint constrangedor do Conselho da Amazônia", de Claudio Angelo para o Direto da Ciência.


A estrutura do Ministério das Relações Exteriores precisa estar a serviço de valores que sempre foram associados ao povo brasileiro

26 de novembro de 2020: "É também grave que, em vez de adotar o tom diplomático que o caracteriza historicamente, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil tenha reagido, em defesa de Eduardo Bolsonaro, agressivamente à nota emitida pela Embaixada da China.", em "Deputados pedem afastamento de 03 de comissão após agressão ‘infame’ à China: Chineses reagem com ênfase incomum a ataque de Eduardo Bolsonaro, mas Itamaraty sai em defesa do filho do presidente", de Eduardo Maretti para a Rede Brasil Atual.


Logística de transporte e armazenamento

4 de dezembro de 2020: "Pazuello ainda não revelou nenhuma logística para a distribuição das vacinas", de Alexandre Padilha para o Brasil de Fato.


Novamente, os modelos de sucesso do exterior serão fonte de inspiração.

18 de dezembro: "Tribunal Penal Internacional investiga Bolsonaro; o que isso significa? Denunciado por violações contra o meio ambiente e povos indígenas, Bolsonaro pode se tornar réu em Haia", de Pedro Rafael Vilela para o Brasil de Fato.


O modelo atual de pesquisa e desenvolvimento no Brasil está totalmente esgotado.

3 de janeiro de 2021: "A ciência no Brasil está a beira do colapso, avalia ex-ministro: Previsão de orçamento para o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações em 2021 é 34% menor do que em 2020", na Carta Capital.


O Gás tem ganho destaque na matriz energética brasileira, contribuindo na transição para reduzir as emissões de CO2 e ajudar a integrar outras fontes renováveis intermitentes.

21 de janeiro de 2021: "Guedes prometeu gás pela metade, o que daria R$ 35, mas já custa até R$ 105", de Antonio Temóteo para o Uol


O Brasil passará por uma rápida transformação cultural, onde a impunidade, a corrupção, o crime, a “vantagem”, a esperteza, deixarão de ser aceitos como parte de nossa identidade nacional, POIS NÃO MAIS ENCONTRARÃO GUARIDA NO GOVERNO.
    
16 de fevereiro de 2021: "'A Lava Jato tinha candidato e tinha programa no processo eleitoral', disse Mendes à BBC News Brasil. 'Primeiro a Lava Jato atua na prisão do Lula. Prestes à eleição, a Lava Jato divulga o chamado depoimento ou delação do Palocci, tentando influenciar o processo eleitoral. Depois, o Moro vai para o governo Bolsonaro, portanto eles não só apoiaram como depois passam a integrar o governo Bolsonaro', exemplificou o ministro", em "Lava Jato prendeu Lula, apoiou eleição de Bolsonaro e integrou governo, diz Gilmar Mendes", de Nathalia Passarinho para BBC News Brasil.


Qualquer pessoa no território nacional [...] tem direitos inalienáveis como ser humano [...]

17 de fevereiro: "Morre de Covid-19 o guerreiro Aruká Juma: Indígena recebeu “tratamento precoce”, com azitromicina e ivermectina, medicamentos não recomendados pela OMS", de Luciene Kaxinawá para Amazônia Real. Na matéria, explica-se que "A família de Aruká são os últimos sobreviventes do povo Juma, etnia do tronco linguístico Tupi Kagwahiva. Aos 15 anos, Aruká presenciou o maior massacre que seu povo sofreu ao defender o território da invasão de seringueiros e comerciantes de castanha na década de 1960."


Seu celular, seu relógio, sua poupança, sua casa, sua moto, seu carro, sua terra são os frutos de seu trabalho e de suas escolhas!

2 de março de 2021: "Flávio Bolsonaro compra mansão de R$ 6 milhões, mesmo valor investigado pelo Ministério Público: Valor do imóvel é três vezes maior do que o patrimônio declarado pelo senador em 2018", na Rede Brasil Atual


Nosso povo deve ser livre para pensar, se informar, opinar, escrever e escolher seu futuro.

3 de março de 2021: "Punição a Hallal é novo capítulo da escalada do governo Bolsonaro sobre universidades: Ex-reitor da UFPel, Pedro Hallal teve que assinar “termo de ajustamento de conduta” por ter feito críticas a Bolsonaro", no Sul21.


Deixaremos de louvar ditaduras assassinas e desprezar ou mesmo atacar democracias importantes como EUA, Israel e Itália.

7 de março de 2021: "Reportagem nos EUA associa Eduardo Bolsonaro a tentativa de golpe pró-Trump", de Guilherme Mendes e Édson Sardinha para o Congresso em Foco.


Já a Venezuela, que aumentou a restrição às armas da população civil, está com o dobro de homicídios do Brasil: quase 60 por 100 mil.

11 de março de 2021: "Venezuela pede que ONU intervenha no Brasil para controlar covid-19: Em carta enviada ao secretário-geral da ONU, chanceler Jorge Arreaza fala em 'situação perigosa que ameaça toda nossa América do Sul'", no Opera Mundi.


Os números comprovam que o extermínio de brasileiros é realizado pelos criminosos!

21 de janeiro de 2021: "Pesquisa revela que Bolsonaro executou uma 'estratégia institucional de propagação do coronavírus': Ao analisar 3.049 normas federais produzidas em 2020, a Faculdade de Saúde Pública da USP e a Conectas Direitos Humanos mostram por que o Brasil já superou mais de 212.000 mortes por covid-19", de Eliane Brum para El País.

9 de março: Twitter:

12 de março de 2021: "o mundo registrou 5,4 milhões de novos casos da covid-19. 858 mil deles, porém, ocorreram apenas no Brasil, 15% do total. A população brasileira, porém, representa apenas 2,7% do planeta. Nos EUA, foram 798 mil novos contaminados em 14 dias.", em "OMS: sem ação do governo, mortes subirão no Brasil e país ameaçará o mundo", de Jamil Chade para o Uol


PRENDER E DEIXAR NA CADEIA SALVA VIDAS!

15 de março de 2021: "Anatomia da rachadinha: Quebra de sigilos do Caso Flávio revela indícios do esquema ilegal nos gabinetes de Jair e Carlos Bolsonaro", de Amanda Rossi, Flávio Costa, Gabriel Sá Pessoa e Juliana Dal Piva para o Uol Notícias.