O palco e o mundo


Eu, Pádua Fernandes, dei o título de meu primeiro livro a este blogue porque bem representa os temas sobre que pretendo escrever: assuntos da ordem do palco e da ordem do mundo, bem como aqueles que abrem as fronteiras. Como escreveu Murilo Mendes, de um lado temos "as ruas gritando de luzes e movimentos" e, de outro, "as colunas da ordem e da desordem".

Mostrando postagens com marcador Evento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Evento. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Eventos na Bienal do Livro de São Paulo: "Quem tem medo da liberdade?" e autógrafos para "Ilícito absoluto"

 



Participarei com Juliana Monteiro, Maria Fernanda Maglio e Vilmar Debona da programação da Editora Patuá na 28a Bienal do Livro de São Paulo, que ocorrerá no Distrito Anhembi. 
No sábado, dia 5 de setembro de 2026, das 10 às 12 horas, estaremos no bate-papo "Quem tem medo da liberdade? Literatura, conservadorismo e os conflitos morais do nosso tempo na literatura".
Esta é a descrição do evento:

Uma conversa sobre como a literatura enfrenta, registra e tensiona os conflitos morais do nosso tempo. Liberdade, conservadorismo, gênero, sexualidade, desigualdade, violência e os limites impostos às diferentes formas de existir atravessam obras e experiências dos quatro participantes.

Faço notar que o bate-papo ocorre um dia depois do aniversário de 36 anos da abertura da Vala de Perus, vala clandestina no Cemitério Dom Bosco, em São Paulo, onde a ditadura militar ocultou mais de mil corpos. Até hoje, só uma parcela mínima desses desaparecidos foi identiifcada, e o governo de Jailed Bolsonaro conseguiu paralisar os trabalhos de identificação, que passaram pela Unicamp, pela USP, pela UFMG, mas só conseguiram avançar com o CAAF (Centro de Antropologia e Arqueologia Forense) da Unifesp.

Falando nos desaparecidos da ditadura, ainda no dia 5 de junho, logo depois do bate-papo, às quatorze horas, darei autógrafos para o Ilícito absoluto, meu livro sobre o reconhecimento judicial de Carlos Alberto Brilhante Ustra como torturador da família Almeida Teles.



Este livro de não-ficção trata, evidentemente, de violência, cosnervadorismo, liberdade e gênero, mas também da literatura de ficção que aborda esses assuntos: entre as fontes que consultei, estão livros de Vilma Arêas e Roberto Bolaño.

As atividades ocorrerão no estande K45, da Patuá

Vejam como chegar: https://www.bienaldolivrosp.com.br/pt-br/visitar.html


segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Ditaduras e responsabilização de empresas: Chamada de artigos e resumos para o XI Seminário do IPDMS




Em João Pessoa, na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), será realizado o  XI Seminário do Instituto de Pesquisa Direitos e Movimentos Sociais (IPDMS), “Venas abiertas: pesquisas e insurgências na América Latina”, entre 11 e 14 de novembro de 2026. O evento ocorrerá concomitantemente com o Encontro Nacional da Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares – RENAP e Encontro Nacional das Assessorias Jurídicas Universitárias – ERENAJU. Haverá programação em comum, que está sendo construída. Acompanhem as notícias na página do evento, local onde copiei a imagem acima: https://www.ipdms.org.br/xi-sn-ipdms/

Coordenarei com a bistoriadora e integrante da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos Janaina de Almeida Teles e o cientista politico Bruno Boti Bernardi um Grupo de Discussão sobre ditaduras e responsabilização de empresas. Estamos esperando artigos e resumos expandidos sobre o tema até 23 de agosto 8 de setembro, último dia do prazo.

As regras para a elaboração dos textos podem ser lidas através desta ligação: https://www.ipdms.org.br/xi-sn-ipdms/xi-sn-trabalhos/

O IPDMS continua a ser um local de encontro único de diferentes saberes: acadêmicos (da Sociologia, da História, da Antropologia, da Filosofia e outros campos, até do Direito) e não acadêmicos, em conjunto com os militantes e os movimentos sociais. Trata-se de saberes que caminham rente à militância e à ação. 

O Grupo de Discussão que propomos diz respeito a uma frente nova no campo da justiça de transição e que lida com as lutas dos trabalhadores, com os direitos e territorialidades de povos indígenas e comunidades tradicionais, bem como com garantias socioambientais. Esperamos que os artigos e resumos que chegarão suscitem caminhos novos para a teoria e para os movimentos.


GD 6 – Ditaduras e empresas: a responsabilização por graves violações de direitos humanos

Ementa

A responsabilização de empresas por graves violações de direitos humanos e sua aliança com ditaduras, especialmente na América Latina, é um campo novo da justiça de transição.

No Brasil, o relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV), finalizado em 2014, não considerou a responsabilidade empresarial ao longo deste período. Na Argentina, o Nunca más (1984), relatório da Comisión Nacional sobre la Desaparición de Personas (CONADEP), tampouco o tinha feito, por ter se concentrado nas violações aos direitos civis e políticos.

A cumplicidade empresarial em graves violações de direitos humanos é um tema que tem ganhado destaque neste século: no Direito Internacional, sua iniciativa vem de movimentos, organizações não governamentais e a Organização das Nações Unidas a partir de instrumentos de soft law (Osiel, 2014). No campo da justiça de transição, ele é mais recente ainda. A Colômbia foi o primeiro país que decidiu em acordo de paz “integrar actores económicos en el componente de justicia penal de la justicia transicional” (Michalowski, 2022, p. 96).

Na Argentina, se houve uma “aliança repressiva” entre empresas e ditadura que enseja falarmos de “responsabilidade”, e não simples “cumplicidade” das empresas na repressão aos trabalhadores (Secretaría de Derechos Humanos de la Nación, Centro de Estudios Legales y Sociales y Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales, 2022, p. 66), a responsabilização no campo da justiça de transição não foi ainda realizada.

No Brasil, um passo adiante foi dado com um projeto do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense da Universidade Federal de São Paulo (CAAF/Unifesp), que coordenou diversas equipes. O financiamento veio do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o Ministério Público Federal (MPF), o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Volkswagen, em razão do Inquérito Civil nº 1.34.001.006706/2015-26, que investigava a colaboração da empresa citada com a ditadura militar no Brasil. O projeto publicou em 2023 um primeiro Informe sobre dez empresas (Teles, Osmo, Calazans, 2023).

Perspectivas teóricas

A discussão partirá das concepções de justiça de transição que destacam a importância dos direitos econômicos, sociais e culturais, como de Kora Andrieu (2012), superando o paradigma liberal, centrado em direitos civis e políticos.

Outro pressuposto teórico é o da importância das iniciativas de “baixo para cima”, ou seja, dos movimentos sociais e da sociedade civil para a justiça de transição, também no campo da responsabilidade empresarial, como destacaram Payne, Pereira e Bernal-Bermúdez (2020).

A literatura latinoamericana sobre a cumplicidade das empresas com ditadura na América Latina será destacada, como é exemplo o trabalho de Victoria Basualdo (2021; Basualdo et al, 2016)

Além disso, a violação de direitos dos povos originários e comunidades tradicionais, bem como direitos socioambientais está incorporada teoricamente ao escopo do Grupo de Discussão e ás concepções de direitos humanos envolvidas, tendo em vista a atuação de empresas como a Petrobras, que afetou direitos territoriais daqueles povos e gerou degradação ambiental (Teles, Fernandes, Bernardi, 2024)

Referências bibliográficas

ANDRIEU, Kora. La justice transitionnelle. Paris: Gallimard, 2012.

BASUALDO, Victoria. Business and the Military in the Argentine Dictatorship (1976–1983): Institutional, Economic, and Repressive Relations. in: V. Basualdo et al. (eds.), Big Business and Dictatorships in Latin America, Palgrave Studies in Latin American Heterodox Economics, 2021. https://doi.org/10.1007/978-3-030-43925-5_2.

BASUALDO, Victoria et al. Responsabilidad empresarial en delitos de lesa humanidad: represión a trabajadores durante el terrorismo de Estado. Posadas : EDUNAM - Editorial Universitaria de la Universidad Nacional de Misiones ; Posadas : EdUNaM ; Ciudad Autónoma de Buenos Aires : Centro de Estudios Legales y Sociales ; Ciudad Autónoma de Buenos Aires : Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales, 2016.

COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE. Relatório. Brasília: CNV, 2014, Vol.1, 2 e 3. Disponível em http://cnv.memoriasreveladas.gov.br/.

MICHALOWSKI, Sabine et al. Estándares internacionales y lecciones de la experiencia internacional para la responsabilidad de los actores económicos por su participación en conflictos armados. In: SECRETARIA DE DERECHOS HUMANOS DE LA NACIÓN. Repertorios : perspectivas y debates en clave de Derechos Humanos : 3- Responsabilidad Civil en delitos de lesa humanidad. Ciudad Autónoma de Buenos Aires : Ministerio de Justicia y Derechos Humanos de la Nación, pp.95-116, 2022.

SECRETARÍA DE DERECHOS HUMANOS DE LA NACIÓN, CENTRO DE ESTUDIOS LEGALES Y SOCIALES Y FACULTAD LATINOAMERICANA DE CIENCIAS SOCIALES. Conclusiones del informen Responsabilidad empresarial en delitos de lesa humanidad. In: Secretaria de Derechos Humanos de la Nación Repertorios : perspectivas y debates en clave de Derechos Humanos : 3- Responsabilidad Civil en delitos de lesa humanidad / 1a ed. - Ciudad Autónoma de Buenos Aires : Ministerio de Justicia y Derechos Humanos de la Nación, p. 65-93, 2022.

OSIEL, Mark. The Uncertain Place of Purge Within Transitional Justice, and the Limitations of International Law in the World’s Response to Mass Atrocity. In: ISRAËL, Liora; MOURALIS, Guillaume (ed.) Dealing with Wars and Dictatorships: Legal Concepts and Categories in Action. The Hague: Asser Press, pp. 253-269, 2014.

PAYNE, Leigh A.; PEREIRA, Gabriel; BERNAL-BERMÚDEZ, Laura (ed.). Transitional Justice and Corporate Accountability from Below. Deploying Archimedes’ Lever. Cambridge: Cambridge University Press, 2020.

TELES, Edson; OSMO, Carla; CALAZANS, Marilia Oliveira (org.). Informe público: a responsabilidade de empresas por violações de direitos durante a ditadura. São Paulo: CAAF, Unifesp, 2023.

TELES, Janaína de Almeida; FERNANDES, Pádua; BERNARDI, Bruno Boti. A Petrobras e as graves violações aos direitos humanos cometidas durante a ditadura militar. Revista Brasileira de História. 44 (97), 2024. https://doi.org/10.1590/1806-93472024v44n97-05


P.S.: Foram muitos os pedidos e o prazo foi ampliado; transcrevo a mensagem da organização: 

🚨 PRAZO PRORROGADO! 🚨

As submissões de Oficinas, Mini Cursos e Apresentação de Trabalhos do XI Seminário Nacional do IPDMS vão até 08/09 ✍️

📤 Envie pelo site oficial do evento — https://ipdms.org.br/xi-sn-ipdms/xi-sn-trabalhos/ 🔗

📅 Evento: 11 a 14/11 • UFPB • João Pessoa/PB

Não fique de fora. Submeta seu trabalho! ✊

#XI SNIPDMS #IPDMS #RENAP #RENAJU #DireitosHumanos #MovimentosSociais

https://www.instagram.com/p/DcWsi_7hyjD/?igsi=amhhN2s4dno5Z3Rt

sexta-feira, 1 de março de 2024

Desarquivando o Brasil CXCVIII: Curso 10 Anos do Relatório da Comissão Nacional da Verdade, 60 Anos do Golpe de 1964


Ministrarei um curso presencial no Centro de Pesquisa e Formação do SESC-SP em 8 de março, das 15 às 18 horas, de título 10 Anos do Relatório da Comissão Nacional da Verdade, 60 Anos do Golpe de 1964.
No ano passado, escrevi uma proposta pensando inicialmente em um curso mais longo. Adaptei-a para o SESC e propus uma atividade de três horas para introdução à leitura do relatório da CNV, pensando em três tempos: os antecedentes da Comissão; a elaboração do relatório e sua estrutura; consequências do documento. 
Creio que dará certo pois testei o formato na Calourada da Faculdade de História da USP, a convite do Centro Acadêmico, em 26 de fevereiro, em um tempo bem menor de fala.
A propósito, fiquei feliz com o convite e o interesse dos estudantes, que pareceram me confirmar a importância de o relatório da CNV ser mais conhecido por causa da atualidade das questões tratadas, da potencialidade de fundamentar demandas de justiça e do fato de tão pouco das suas recomendações para reformar as instituições e evitar a repetição das graves violações de direitos humanos ter sido implementado. Se pensarmos no governo federal passado, tivemos diversas vezes justamente o oposto do que a CNV recomendou, com os nefastos resultados conhecidos.
Não ignorarei, claro, outras iniciativas de justiça de transição: na foto da propaganda, veem-se relatórios e livros da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, do Brasil: Nunca Mais, de outras comissões da verdade e o pioneiro relatório argentino, o Nunca Más da Conadep (Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas).
O relatório argentino foi publicado em 1984 no primeiro governo civil, o de Raúl Alfonsín, após a última ditadura militar. No Brasil, algo bem diverso ocorreu: José Sarney tomou posse em 1985 e jamais se interessou pela criação de uma comissão da verdade, tampouco os governos subsequentes, até a lei de 2011 que previu a CNV,
Este é o programa que escrevi para o portal do SESC-SP:

Trata-se de atividade de introdução à leitura do relatório da Comissão Nacional da Verdade, abordando três tempos: a) os antecedentes da Comissão (como a campanha pela Anistia, o "Brasil: Nunca Mais", a lei dos desaparecidos políticos e os processos relativos à Guerrilha do Araguaia); b) o relatório: sua elaboração (método de trabalho e relação com outras comissões da verdade e as Forças Armadas) e estrutura (divisão em volumes e temas); c) as consequências do documento: a efetividade de suas recomendações e a repercussão sobre movimentos sociais e outras comissões. A proposta parte da importância das questões de memória e verdade para a democracia, contra a negação e/ou a exaltação dos crimes da ditadura.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

A presença de Ana Maria de Almeida Camargo: 7 de dezembro no Centro Maria Antonia

 


No Centro Universitário Maria Antonia, dia 7 de dezembro de 2023, a partir das 15 horas, ocorrerá uma homenagem à historiadora Ana Maria Camargo, que faleceu neste ano. Como se sabe, sua contribuição para a Arquivologia e para as pautas de memória, verdade e justiça foi fundamental. Ela é um dos casos relativamente raros de pessoas que uniram a atividade acadêmica e a militância social.

Os palestrantes, que foram colegas e/ou alunos e/ou companheiros de militância da homenageada, falarão de sua trajetória profissional e política, que inclui o trabalho com os documentos do Brasil: Nunca Mais, projeto fundamental para o resgate da memória e para a redemocratização do país. 

O evento incluirá trechos de vídeos com Ana Maria Camargo discursando, projeção de fotos e uma surpresa final: um registro inedito da historiadora.

Esta foi a última foto que tirei dela, em 15 de abril de 2023, no lançamento do livro Feminismos, de Maria Amélia de Almeida Teles. No lado esquerdo, está a historiadora Janaína de Almeida Teles. Ela foi enviada para projeção no evento, que deverá ser o primeiro de muitos, tamanho é o impacto de sua carreira.



quinta-feira, 9 de novembro de 2023

Relançamento de Memória e sociedade, de Ecléa Bosi

 


Em 11 de novembro de 2023, às 16 horas, em São Paulo, ocorrerá o relançamento do clássico de Ecléa Bosi Memória e sociedade: lembranças de velhos. Nele falarão Amelinha Teles, Fabio Weintraub, Luciana Araújo, Paulo de Salles Oliveira, com mediação do historiador Tiago Bosi, neto da autora, falecida em 2017. O evento ocorrerá na Livraria Simples (Rua Rocha, 416).

Em 16 de agosto de 2023, ocorreu outro evento de relançamento, mas de cunho acadêmico, no Instituto de Psicologia da USP. Felizmente, ele foi filmado: começou a ser transmitido com som (embora fraco) depois de uma hora e vinte minutos, o que impediu o registro sonoro da apresentação do CoralUSP, mas não das falas da mesa, que podem ser vistas e ouvidas por meio desta ligação: https://www.youtube.com/live/GImAxTK4N6U?si=2gk0TUKYTSSg-Sm4&t=4832

Destaco na interessante mesa a fala da deputada federal Luiza Erundina, que conheceu e militou com Bosi (e se apresentou não como deputada, mas na condição de antiga amiga da autora), começa a falar perto de 1 hora e 33 minutos. Ela observou que o lema "não há democracia sem o poder popular" é a "perspectiva" da obra de Ecléa Bosi, o que é muito acertado. Mencionando a militância contra a ditadura militar de ambas, evocou, Aurora Maria Nascimento Furtado, estudante de Psicologia da USP e militante da ALN que, lembrou Erundina, "deu a vida pela liberdade": ela foi executada em 1972, depois de torturas que incluíram a "coroa de Cristo", uma fita de aço usada para esmagar o crânio.

Comento que, em outros espaços, a lembrança de um morto político suscitaria gritos de "presente"; isso não ocorre nesse ambiente da USP.

O livro traz as mencionadas lembranças de velhos com as análises da autora, configurando uma pioneira obra (no Brasil e no mundo) de memória social. Em outro momento de destaque da mesa, Fabio Weintraub, a partir de duas horas e 9 minutos do vídeo, fala da "comunidade de destino" estabelecida entre os depoentes e a autora: trata-se de um método da pesquisa, que significa, citando Bosi, "sofrer de maneira irreversível, sem possibilidade de retorno à antiga condição, o destino dos sujeitos observados". Daí, a "argúcia política" da análise que Ecléa Bosi faz da memória social, diz Fabio Weintraub.

A partir de 2 horas e 39 minutos, Luís Galeão destaca em Memória e sociedade a lembrança de Iara Iavelberg, que foi aluna do Instituto e nomeia o seu centro acadêmico. Ela foi amiga de Bosi. Guerrilheira da Vanguarda Popular Revolucionária, Iavelberg foi outra morta política da ditadura militar, para quem o governo forjou uma versão oficial de morte por "suicídio", desmentida posteriormente por laudos.

Com efeito, é inegável o caráter político desta obra, editada pela primeira vez em 1979, no início da gestão do general ditador João Figueiredo. Esse caráter reflete, devo lembrar, a própria trajetória pessoal da autora. Ecléa e seu marido, falecido em 2020, Alfredo Bosi, engajaram-se na oposição à ditadura militar, mas isso é pouco falado, até por causa da discrição dos dois intelectuais a respeito de sua própria militância. Entre outras ações, eles esconderam militantes procurados pela polícia. Espero que essas histórias - e as memórias dos que os conheceram - ainda sejam resgatadas e contadas. Ela mesma resgatou tantas histórias alheias.


sábado, 11 de fevereiro de 2023

Aniversário da Patuá: um depoimento sobre Eduardo Lacerda



Eu publiquei quatro livros na Patuá, que agora faz doze anos: um de contos, Cidadania da bomba, em 2015; dois de poesia, O desvio das gentes (2019) e Assassinato e ascensão do grande escritor (seguidos de Antologia completa) (2022) e um romance, Gravata lavada (2019). Falo, a pedido da editora, a partir dessa experiência.
Nesse modelo de negócio, a editora nada cobra dos autores (embora não recuse, ao contrário da Averno, livros subsidiados); como a escolha dos títulos se guia pelo gosto do editor, e não pela busca do best-seller, a editora sustenta-se com o número de lançamentos. Cito o próprio editor, Eduardo Lacerda, nesta entrevista a Theo G. Alves, sobre esta diretriz básica: "damos espaço para pessoas muitas vezes com poucos resultados financeiros, mas muitos resultados literários".
Nesse processo, ele aposta não só em muitos autores jovens da literatura brasileira, mas também em peste-sellers como eu. Ele não tem estrutura das grandes corporações para trabalhar os livros; ademais, a distribuição depende muito dos esforços pessoais dele e dos próprios autores. A melhor forma de encontrar as obras é o portal da editora: https://www.editorapatua.com.br/
Dito isso, é em casas com este perfil que respiram a renovação e a experimentação da literatura brasileira. Até membros da Academia Brasileira de Letras passaram a publicar pela Patuá, pois ela respeita os autores e a literatura. Temos um exemplo eloquente no atual presidente da Biblioteca Nacional, Marco Lucchesi
A comemoração de aniversário ensejou esta promoção que vai até 12 de fevereiro:


Conheci Eduardo Lacerda muito antes, porém. Em 2003, eu estava tentando cursar as disciplinas do doutorado; tive a sorte de poder seguir dois ótimos cursos na FFLCH-USP e lá o conheci, graduando em Letras. Ele já editava: tenho ainda, dessa época, os dois primeiros números da Metamorfose: Revista de cultura e literatura Geral. No número 2, de 2004, ele contou com Andréa Catrópa, que era então mestranda em Letras. Anos depois, ela também publicaria pela Patuá.
No vídeo acima, li algumas das frases do editorial do primeiro número. Nele, Eduardo fala da metamorfose como "mediação" e de como espera poder "evoluir, crescer". Comentei que, nesses vinte anos, apesar de ter crescido a ponto de criar uma editora própria com centenas de títulos, não mudou em dois pontos essenciais: no amor pela literatura (especialmente a poesia) e nesta improvável aposta, em um país como o Brasil, de intervir no espaço público e no debate cultural por meio da edição de livros.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Lançamentos: livros de Fabio Weintraub, Ricardo Rizzo e Pádua Fernandes

 


Em 17 de dezembro de 2022, sábado, das 17 às 20 horas, serão lançados meu livro novo de poesia, Assassinato e ascensão do grande escritor (seguidos de Antologia completa), a edição de 20 anos de Novo endereço, de Fabio Weintraub, que foram objeto de uma campanha de financiamento coletivo lançada em outubro deste ano. Levamos dois meses para concluir o processo. A editora Patuá os publicará.



O evento ocorrerá na Patuscada (rua Luís Murat, 40), em São Paulo. Conosco estará Ricardo Rizzo, sobre quem já escrevi algumas vezes, que vem de Brasília e lançará em São Paulo seu mais novo livro de poesia, O excedente, que saiu pela Corsário-Satã.



Agradecemos a presença de todos. Estas são as ligações para os livros:

Novo endereçohttps://www.editorapatua.com.br/novo-endereco-de-fabio-weintraub/p

Assassinato e ascensão do grande escritor (seguidos de Antologia completa)https://www.editorapatua.com.br/assassinato-e-ascensao-do-grande-escritor-de-padua-fernandes/p

O excedentehttps://corsario-sata.minestore.com.br/produtos/o-excedente-ricardo-rizzo


quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Poetas de dois mundos: evento em em São Paulo, 9 de setembro

 


O poeta Leonardo Marona, que trabalha na Livraria da Travessa, nela organiza este evento, "Poeta de dois mundos", que volta a ser presencial.

Ele ocorrerá na Travessa de São Paulo no bairro de Pinheiros (Rua dos Pinheiros, n. 513) nesta sexta-feira, nove de setembro de 2022, às 19 horas. 

Farão leituras os autores Augusto Meneghin, Camila Assad, Daniela Rezenda, Fernanda Comenda, Gabriela Efigênia Farrabrás, Guilherme Pavarin, Janaú, Lilian Sais, Mar Becker. Todos eles lançaram pelo menos um livro pela editora Urutau. Também estarei lá.


terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Desarquivando o Brasil CLXXX: Apresentação da adaptação teatral de K. Relato de uma busca, de Bernardo Kucinski



Em 14 de dezembro de 2021, às 19 horas, no canal do YouTube do Narrativas da Ditadura Brasileira, será transmitida a apresentação da adaptação teatral do primeiro romance de Bernardo Kucinski, um dos grandes marcos no campo da literatura e memória da ditadura militar no Brasil, com debate com o grupo Militantes em Cena.

Kucinski estará presente, bem como o diretor Jitman Vibranoski e os atores do espetáculo, que encenarão a primeira parte da peça. 

Trata-se de uma atividade do grupo de pesquisa Poéticas e políticas da memória na literatura brasileira contemporânea, coordenado pelas professoras Rejane Pivetta e Luciana Coronel, e de que sou um dos integrantes.


Ligação para a transmissão:

https://www.youtube.com/watch?v=oOwRQCMQqzs


Nota: O debate ocorre em outra ligação: https://www.youtube.com/watch?v=wN7n985P_nw

Ligação para o perfil do grupo teatral no facebook: https://www.facebook.com/militantesemcena/

Desarquivando o Brasil CLXXIX: Jornada Internacional Direitos humanos e resistência à ditadura militar na OEA

Esta Jornada começará hoje e tratará de um tema que foi pouco investigado pelas comissões da verdade no Brasil: as denúncias contra o Estado brasileiro apresentadas à Comissão Interamericana de Direitos Humanos durante a ditadura militar. 

Transcrevo a mensagem que me foi enviada pela historiadora Janaína de Almeida Teles:


Jornada Internacional Direitos humanos e resistência à ditadura militar na OEA




Entre 14 e 16 de dezembro, às 18 horas, acontecerá a Jornada Internacional sobre Direitos humanos e resistência à ditadura militar na OEA, organizada pelo Núcleo de Estudos História do Tempo Presente.

Os eventos serão transmitidos ao vivo pelo canal do YouTube História UEMG Passos.

Será imperdível.

Confira a programação e participe deste debate tão importante.

*Com emissão de certificado*


Link do canal: 

https://youtube.com/channel/UCcqFY6HK9SSiVcrrlhbq0Mw



quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Desarquivando o Brasil CLXXVIII: Audiência para transformar o antigo DOI-Codi de São Paulo em lugar de memória

Recebi este convite de Adriano Diogo, que, entre várias funções públicas, presidiu a Comissão da Verdade do Estado de São Paulo "Rubens Paiva", e também da jornalista Niara de Oliveira.

O DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna) de São Paulo, descendente direto da abertamente clandestina Operação Bandeirante ("BandeiranteS" é a rodovia ou o canal de tevê, não a Operação), uma operação ilegal de repressão pública que surgiu ironicamente (ou não, quem sabe) durante a gestão do patriarca do direito administrativo brasileiro, Hely Lopes Meirelles, na Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo.

Trata-se de um local onde foram cometidas várias graves violações de direitos humanos e que abriga hoje uma delegacia. O jornalista Vladimir Herzog e o operário Manoel Fiel Filho, por exemplo, foram torturados e assassinados lá. A partir de 2012, a Comissão da Verdade "Rubens Paiva realizou audiências públicas e outras iniciativas para discutir o tombamento do imóvel: https://www.youtube.com/watch?v=HSKFmEu7kCw&t=1s

Em janeiro de 2014, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Turístico (Condephaat) do Estado de São Paulo aprovou o tombamento do imóvel, segundo o desejo dos movimentos de memória e justiça. No entanto, até hoje ele não teve sua destinação alterada para lugar de memória. Em 2015, no seu relatório final, a Comissão "Rubens Paiva" já havia incluído esta recomendação no capítulo sobre lugares de memória:

14) Que seja promovida uma discussão pública, dos órgãos estaduais de cultura e educação em conjunto com a Secretaria de Segurança Pública para a definição do uso do prédio do DOI-CODI, em até doze (12) meses a partir da publicação deste relatório. 

O governo do Estado ignorou essa recomendação (bem como as outras), razão pela qual esta audiência se fez necessária. Lembro que, em 2016, a Comissão da Memória e Verdade da Prefeitura de São Paulo (da qual Adriano Diogo também era membro) também abordou o tema:

58. Esta Comissão da Memória e Verdade, que não tem competência para julgar e punir aqueles que cometeram crimes na Oban e no DOI-Codi, recomenda a adoção de medidas de memória em relação ao local. Recomenda-se que o 36ª Distrito Policial seja transferido para outro imóvel possibilitando a conversão do edifício do DOI-Codi, já tombado pelo Condephaat, em equipamento de memória, oportunamente num centro cultural dedicado à memória e à divulgação da memória das violações aos direitos humanos praticadas no durante a ditadura.

A audiência foi marcada para este 9 de setembro. Este é o convite:



Dia 9 de setembro, às 14:00 horas, vamos apoiar a iniciativa do Juiz José Eduardo Rocha Cordeiro em transformar  o antigo Doi-Codi em um Centro de Memória, para homenagear os lutadores  que  tombaram para que pudéssemos ter nossos direitos de volta.

Com todos os cuidados, por causa do COVID-19,  quem puder, compareça, na Rua Tutóia, esquina com a Rua Tomás Carvalhal, na Vila Mariana. 

Será no dia 9 de setembro, às 14:00 horas.

Neste dia, o Juiz José Eduardo Rocha Cordeiro fará uma audiência pública no local.

Estamos juntos em mais esta luta. 

Vamos transformar o local em um Centro de Memória.



domingo, 27 de junho de 2021

Desarquivando o Brasil CLXXVI: Ditadura e repressão à população LGBTQIA+ no Narrativas da ditadura brasileira


Se tudo correr bem, falarei com a historiadora Rita Colaço no canal Narrativas da ditadura brasileira em 28 de junho de 2021, segunda-feira, às 19 horas. Colaço, como se sabe, é uma referência no tema e mantém o blogue Memórias e História das Homossexualidades. É uma das fundadoras do Museu Bajubá. O professor João Pedro de Carvalho fará a mediação. 
O evento poderá ser acompanhado também pela página do facebook. Para receber certificado, o público deverá inscrever-se nesta ligação.
Ela falará sobre "A ditadura, as homossexualidades e o Eichmann que nos habita", tratando da repressão no passado e na atualidade. Eu vou falar das homossexualidades nas comissões da verdade brasileiras. A esse propósito, cabe uma palavras sobre os trechos de quatro documentos da época da ditadura militar que estão no cartaz do evento. 
Eu os escolhi para enfatizar (pois esse foi assunto de polêmica na época de funcionamento da Comissão Nacional da Verdade) que a repressão às homossexualidades era tratada pelos órgãos de vigilância e informações como politicamente subversiva e, portanto, alvo de repressão. Trata-se de uma pauta que deve ser incluída nos debates sobre justiça de transição.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Literatura e memória: conversa com Paulo Dutra e Pedro Gazu


Paulo Dutra, que vi falar e conheci no evento sobre literatura brasileira Printemps Littéraire em 2018, convidou-me para conversar com ele e com Pedro Gazu no canal poetapaulodutra coMvida. Ele já produziu trinta episódios com escritores.

Ele me perguntou sobre o que eu desejava falar; deixei-o à vontade para escolher os temas. Decidiu por "literatura e memória", um campo tão desafiador. Do que ocorrerá, do que diremos, ainda não lembro. 

Aconselho quem ainda não o conhece a assistirem aos vídeos do canal, que, independente, não segue a programação do mercado editorial. Para quem quiser ver a conversa que teremos, ela ocorrerá, tudo correndo bem, às 20 horas do dia 13 de abril: https://www.youtube.com/watch?v=3hcp87C6kFI


quarta-feira, 31 de março de 2021

Bernardo Kucinski na página Narrativas da Ditadura: 57 anos do golpe de 1964


 

A página "Narrativas da Ditadura", coordenada pela professora Luciana Coronel, da FURG, promoverá uma conversa sobre os 57 anos do golpe de 1964 com o escritor e jornalista Bernardo Kucinski. Weverson Dadalto (IFES) será o mediador do evento, que conta ainda com Maria Zilda Kury (UFMG), Jaime Ginzburg (USP) e Fabíola Padilha (UFES).

A conversa ocorrerá ao vivo às 18 horas e poderá ser acompanhada pelo facebook e pelo youtube:

https://www.facebook.com/100528981904677/posts/167398588551049/

https://www.youtube.com/watch?v=6jqMK8vqYQM




sábado, 12 de dezembro de 2020

Desarquivando o Brasil CLXXII: Roda de conversa 52 anos do AI-5




A professora Luciana Coronel organiza e será a mediadora desta Roda de Conversa sobre o Ato Institucional n. 5, uma das aberrações jurídicas mais lembradas da ditadura militar, porém não tão bem compreendida, apesar ou por causa de ser tão invocada hoje pela extrema-direita e por apoiadores do 
atual governo federal.
Participarei dela com Amelinha Teles, um nome que se confunde com a História do Brasil desde os anos 1960, e o historiador Paulo César Gomes.
Membros do governo federal e seus apoiadores minimizaram o caráter nefasto do AI-5, a começar do chefe do governo ("Não queremos negociar nada", diz Bolsonaro em manifestação que pedia AI-5; Participação em ato pró-AI-5 isola Bolsonaro ainda mais e cresce oposição ao governo) ao cometer crime de responsabilidade participando de protesto em abril deste ano que pedia o fechamento do Congresso Nacional.
Ele participou daquela bazófia, em plena pandemia, sem máscara (e tossindo), desmascarando, para todos aqueles que já perceberam há muito tempo, o evidentíssimo desapreço à democracia.
Em junho de 2020, foi encontrado pela polícia o braço direito do senador pelo Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro e signatário de cheques à primeira-dama: Fabrício Queiroz.
Ele estava escondido das autoridades na casa de ex-advogado de Jair Bolsonaro e do mencionado senador filho do ocupante da presidência da república. Nela, estava um cartaz do AI-5 perto de bonecos do mafioso Tony Montana, do Scarface.
Curiosa visão. O que significaria essa curiosa estética de combinar criminalidade política e criminalidade comum? E numa casa habitada por homens próximos de grandes autoridades da república?
Ignoro. Talvez pensar no que foi o AI-5 e por que ele continua sendo invocado pela direita brasileira sugira algumas pistas.
Além dos endereços indicados acima, o evento da página Narrativas da ditadura brasileira poderá ser acompanhado por meio desta ligação: https://www.youtube.com/watch?v=X1_7gmrCSK4

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Pré-lançamento da coletânea "Jumento com faixa: deboches e antiodes ao fascismo"



Neste sábado, dia 12 de dezembro de 2020, às 20 horas (fuso de Brasília), haverá um evento ao vivo de pré-lançamento de uma obra coletiva, de título muito sugestivo, na qual estou incluído. O poeta Zeh Gustavo, de quem tive a chance de apresentar o livro Pedagogia do suprimido, convidou-me a participar de uma coletânea de poesia com o título enigmático Jumento com faixa: deboches e antiodes ao fascismo, a ser publicada pela editora Viés. Do que trataria o livro? Não ousei indagar naquele momento.
Aceitei o convite, claro, mas perplexo, considerando, de um lado, que numerosos acadêmicos demonstraram que não há fascismo hoje, e sim o mero funcionamento normal das instituições vigentes; e, de outro, que os referenciais filosóficos mais contemporâneos combatem o especismo e que devemos, claro, imaginar que um jumento possa efetivamente ser escolhido (ou até mesmo eleito, por seus pares ou não) para receber faixas, inclusive presidenciais.
No entanto, incapaz de escrever sobre algo tão alheio à realidade brasileira, na qual: a) as instituições em geral não funcionam para os fins a que foram destinadas, e sim para outros; b) vivemos a ameaça de extinção de espécies e biomas, tendo em vista a eficácia das políticas públicas de devastação; resolvi enfim rever, revisar um poema que rascunhei neste blogue e não entendi bem sobre o que era, ou se chegava realmente a possuir algum assunto, ou se o assunto era somente alguma forma espúria de despossessão.
A partir desse material já esboçado, consegui atender à encomenda, ou talvez não tenha logrado fazê-lo, porém, se foi esse o caso, os organizadores (além de Zeh Gustavo, temos Rafael Maieiro) fingiram não notar meu fracasso.
Sei que os outros escritores presentes, que pertencem a diversas gerações, chamarão muito a atenção dos leitores. Eles são Alberto Sobrinho, Alexandre Guarnieri, Amanda Vital, Amora Pêra, André Vallias, Áurea Alves, Bruno Borja, Diego Barboza, Divanize Carbonieri, Eduardo Sinquevisque, Filipe Manzoni, Guilherme Zarvos, Henrique Rodrigues, Ítalo Lima, José Brandão, José Henrique Calazans, Katyuscia Carvalho, Letícia Becker Savastano, Luis Maffei, Manoel Herzog, Manuela Oiticica, Marcelo Reis de Mello, Maria Célia Barbosa Reis da Silva, Mariana Blanc, Mauro Iasi, Nuno Rau, Pedro Rocha, Rubermária Sperandio, Sandro Félix e Thamires Andrade.
O evento ocorrerá na conta de instagram @zeh.gustavo. O lançamento ficará para 2021. Esperemos que haja 2021 para nós.


P.S.: A ligação para pré-venda: https://www.livrariafantasticadoborges.com.br/pre-venda-jumento

quinta-feira, 28 de maio de 2020

As comissões da verdade no Brasil: Encontros Literatura e Ditadura do PPG do Instituto de Letras e Artes-FURG (Desarquivando o Brasil CLXVII)




A convite da professora Luciana Paiva Coronel, participarei dos Encontros Literatura e Ditadura do Programa de Pós-Graduação em Letras do Instituto de Letras e Artes da FURG com a fala "As comissões da verdade no Brasil: avanços e impasses".
Trabalhei como pesquisador para três comissões desse tipo: a Nacional, a do Estado de São Paulo e a da Prefeitura de São Paulo. Escrevi sobre essas questões, tanto textos acadêmicos quanto para o público em geral.
O evento, como deve ser nestes dias de pandemia, acontecerá através da internet. Uma sala virtual se abrirá no momento do encontro, dia 29 de maio (sexta-feira) às 14 horas: https://abre.ai/ppgletras.


P.S.: Acabou o encontro, deixo aqui referências do material que citei:

Relatórios e documentos:
No DHNet há uma lista com vários relatórios, nacionais e estrangeiros: http://www.dhnet.org.br/verdade/mundo/brasil/index.htm


Artigos:

Prosa de ficção e poesia:


terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Incels, gafanhotos e neoliberais: Lançamento do meu romance Gravata lavada





Espero lançar um romance, Gravata lavada, no dia 9 de dezembro na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo. A editora é a Patuá, a mesma de O desvio das gentes, que publiquei em outubro de 2019.
Escrevi o livro, o meu primeiro neste gênero (já publiquei poesia, ensaio e contos), no início de 2017. Acabei revisando-o neste ano de 2019, e Eduardo Lacerda, o editor, manifestou interesse nele.
Eu mesmo escrevi a orelha, que espero que sugira o espírito desta escrita:
Com Mariano, entram em conflito policiais, editores de literatura, desembargadores e suas liminares, diretores de cinema, incels, recepcionistas de empresas do latifúndio, estudantes universitários reprovados, músicos pop machistas, o prefeito da cidade, diretoras de teatro, neonazistas em redes sociais, militantes cisnormativas, capangas do tráfico de escravos, professores de oficinas literárias, cristãos fundamentalistas, jurados de prêmios musicais, o secretário de assistência social, um filósofo mascote do liberalismo oitocentista, guardas municipais e outros de diversas espécies enquanto ocorrem audiências da comissão da verdade, chuvas de gafanhoto, linchamentos virtuais, sabotagem de equipamentos públicos por administradores neoliberais, resgate de trabalhadores migrantes, estupros, bancas de concurso para professor universitário, venda de balas nos semáforos, ocupação de imóveis vazios por movimentos de moradia, cerimônias em centro de umbanda, cantos de trabalho no metrô, uso de binders, arranjos musicais para canto e percussão, reciclagem do lixo urbano, troca de fotos de pacientes nuas em grupos de profissionais da saúde, cartas abertas de homens de bem, reportagens sobre pessoas em situação de rua, pareceres para revistas acadêmicas, interpretações da ária “Casta diva”, a publicação de um livro com título “Gravata lavada”.
Mariano, um homem negro e transexual, quer apenas escrever uma história sobre todos.
O título, claro, refere-se à célebre expressão de Teófilo Ottoni na Circular aos eleitores mineiros, de 1860, "nunca sonhou senão democracia pacífica, a democracia da classe média, a democracia da gravata lavada". O livro existe contra essa expressão e o que ela significa e, por essa razão, escolhi aquele trecho como a primeira epígrafe. A segunda, em espírito contrário (fiz o mesmo procedimento, de epígrafes que se contradizem, em Cinco lugares da fúria), tirei-a de Alberto Pimenta, do ensaio ¿Quién otorga los derechos del hombre?, que saiu em espanhol porque ninguém o quis publicar em Portugal.
Pimenta trata teoricamente do direito de ser o que se é, que continua a ser um assunto de vida e morte para as pessoas transexuais.
Na mesma ocasião, em 9 de dezembro, será lançado o mais recente livro de Fabio Weintraub, Quadro de força, também pela Patuá. Nele, está seu ciclo de poemas trans (tema em comum com Gravata lavada), alguns dos quais foram lidos pelo autor em 2018 na Printemps Littérairehttps://www.youtube.com/watch?v=GcXgGOqICCE&

P.S.: O livro está à venda: https://www.editorapatua.com.br/produto/112373/gravata-lavada-de-padua-fernandes

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Lançamento de O desvio das gentes no dia 24 de outubro

Nos idos do semestre passado, lancei um livro de poesia, Canção de ninar com fuzis, que foi objeto de resenha de Dirce Waltrick do Amarante, "Poeta critica o espírito bélico que tomou o país em livro", publicada em 28 de setembro n'O Estado de S.Paulo.
Em 24 de outubro, lançarei outro, O desvio das gentes, pela editora Patuá, com espírito diferente, pois trata de questões afetas ao cosmopolitismo como refugiados, tratados de livre comércio, união monetária, terrorismo, ajuda humanitária internacional, pandemias, declarações de direitos humanos e, claro, guerra. A Canção tinha muitos poemas que já haviam sido publicados, aqui ou alhures, no livro novo há bem menos.
Ele será lançado em São Paulo a partir das 18h30 na Biblioteca Pública Municipal Álvaro Guerra, Av. Pedroso de Moraes, 1919 (Pinheiros). Esse projeto foi realizado com apoio da Secretaria Municipal de Cultura - 2ª. Edição do Edital de Publicação de Livros na Cidade de São Paulo.



O título faz uma evidente alusão à expressão "direito das gentes", mas acho que ninguém havia ainda feito esse desvio.
No projeto aprovado, propus a criação de um blogue temático da criação da obra. Nunca havia feito nada de parecido (este blogue, embora tenha recebido o título de meu primeiro livro, só foi criado bem depois de seu lançamento, e nunca o teve como objeto), mas achei quase divertido criá-lo: https://odesviodasgentes.blogspot.com/
Nele, além de alguns poemas, podem-se ler a orelha escrita por Taís Franciscon, a notícia de que o lançamento será compartilhado com o do novo livro de Ruy Proença, Monstruário de fomes, uma notícia sobre Rinoceronte de Ronald Polito e, claro, entre outros assuntos, apontamentos sobre o projeto.
Na lista de blogues ao lado direito deste texto, pode-se acompanhá-lo, não parei de escrever lá.

terça-feira, 26 de março de 2019

Desarquivando o Brasil CLIII: Contra a virada autoritária do governo, atos #ditaduraNuncaMais em São Paulo





No dia 30 de março, a sexta edição do Ato pela transformação do imóvel onde era o DOI-Codi de São Paulo em lugar de memória. O antigo lugar da repressão política, onde ocorreram torturas e execuções extrajudiciais, foi tombado, mas ainda não ganhou novo uso.
A Comissão da Verdade do Estado de São Paulo 'Rubens Paiva" realizou audiências públicas sobre o assunto recomendou que o local fosse tombado e transformado em lugar de memória. Isso ocorreu em 2014. Cito o relatório da Comissão, concluído em 2015:
[...] a CV “Rubens Paiva” atuou para que fosse aprovado o tombamento do DOI-Codi, e realizou audiência em 29 de novembro de 2012 sobre o assunto. A Comissão Nacional da Verdade e a Comissão “Vladimir Herzog”, do Município de São Paulo, uniram esforços a essa demanda em 27 de novembro de 2013, junto aos Secretários estaduais de Cultura e de Segurança Pública.
O tombamento finalmente foi aprovado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Turístico (Condephaat) do Estado de São Paulo em 27 de janeiro de 2014. No entanto, uma delegacia ainda funciona no imóvel, o que contraria o direito à memória e à verdade, como explicou o presidente da Comissão “Rubens Paiva”
Adriano Diogo, o presidente da Comissão, declarou na época: “Não é admissível uma delegacia de polícia funcionar num prédio que abrigou o DOI-Codi. É como se uma usina de gás alemã funcionasse até hoje em um campo de concentração”.
A Comissão recomendou que o governo do Estado criasse um fundo para manutenção dos lugares de memória com a colaboração da Fiesp "como medida de justiça restaurativa":
3) Que seja criado um fundo destinado à manutenção destes lugares, com a colaboração da Fiesp, como medida de justiça restaurativa em resposta à ação da Federação de Indústrias na conspiração do golpe de 1964 e no financiamento da repressão política e dos crimes de lesa-humanidade perpetrados pelo Estado brasileiro;
Geraldo Alckmin não se moveu nesse sentido, e a Federação das Indústrias, tampouco.
A Comissão da Memória e Verdade da Prefeitura de São Paulo também recomendou, em seu relatório final, de 2016, a transformação do local:
58. Esta Comissão da Memória e Verdade, que não tem competência para julgar e punir aqueles que cometeram crimes na Oban e no DOI-Codi, recomenda a adoção de medidas de memória em relação ao local. Recomenda-se que o 36ª Distrito Policial seja transferido para outro imóvel possibilitando a conversão do edifício do DOI-Codi, já tombado pelo Condephaat, em equipamento de memória, oportunamente num centro cultural dedicado à memória e à divulgação da memória das violações aos direitos humanos praticadas no durante a ditadura.
Medidas desse tipo permitiriam que mais pessoas percebessem a incoerência e a desonestidade intelectual da extrema-direita em poder no Brasil. Essa gente quer posar de defensora da democracia. Como um dos exemplos, vejam Renata Ventura denunciando a contradição de um desses nomes que, com o seu negacionismo histórico, atuam contra a política e a inteligência no Brasil:


Vejam aqui: https://twitter.com/rehventura/status/1110496527158571010
Com o negacionismo histórico erguido à condição de política de Estado, como se previa acontecer se fosse eleito o candidato que tinha como ídolo o torturador de grávidas (entre outras pessoas), esses atos pela memória e pela verdade precisam ser multiplicados. No domingo, dia 31, haverá outro em São Paulo:


A caminhada que partirá do Parque do Ibirapuera às 16 horas em homenagem às "vítimas de violência do Estado" (imagino que muitos familiares das vítimas dos crimes da democracia, como os desaparecimentos forçados e chacinas, estarão lá). Essa "I Caminhada do Silêncio" conta com o apoio de diversas instituições, inclusive estatais.
A memória e a verdade servem de fundamento para a justiça. Compreende-se que quem deseja a ditadura e não quer prestar conta de seus atos se interesse em negar esses direitos.
Na presente virada autoritária, o Ministro da Casa Civil "justificou" o "banho de sangue" dado pelo genocida e corrupto Pinochet; o presidente da república elogia há tempos o genocida e corrupto (e suspeito de narcotráfico), e tentou em 2006, quando deputado federal, que o Itamaraty enviasse um elogio ao neto do ditador, segundo esta matéria do jornal The Intercepthttps://theintercept.com/2018/07/30/telegrama-inedito-bolsonaro-pediu-a-embaixada-elogio-a-ditador-acusado-de-trafico/.
Os protestos no Chile contra a recente visita de Bolsonaro fizeram com que ele se refugiasse em um shopping com membros e simpatizantes da direita e de Pinochet.
Trata-se, enfim, do papel fundamental que o direito à memória e à verdade tem para a democracia. Primo Levi dizia que "aquele que nega Auschwitz é o mesmo que estará pronto para recomeçá-lo" (vejam, por exemplo, o final desta entrevista: https://journals.openedition.org/temoigner/1457). Esquecer para repetir. Esse mecanismo, mutatis mutandis (pois não é de Auschwitz que se trata no Brasil), é o mesmo de todos os negacionismos, por isso eles são uma abominação intelectual, ética e política. Violência.