O palco e o mundo


Eu, Pádua Fernandes, dei o título de meu primeiro livro a este blogue porque bem representa os temas sobre que pretendo escrever: assuntos da ordem do palco e da ordem do mundo, bem como aqueles que abrem as fronteiras e instauram a desordem entre os dois campos.
Como escreveu Murilo Mendes, de um lado temos "as ruas gritando de luzes e movimentos" e, de outro, "as colunas da ordem e da desordem"; próximas, sempre.

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segunda-feira, 13 de maio de 2013

Annita Costa Malufe e Angélica Freitas: Ana C. e a poesia contemporânea brasileira

Neste último sábado, na estranhíssima Biblioteca São Paulo, projetada de forma que não haja silêncio para leitura (fazem parte de sua programação ruidosos eventos de música), consegui ouvir dois dos mais interessantes poetas contemporâneos brasileiros na série apresentada pela jornalista Mona Dorf, "Autores e ideias": http://autoreseideias.wordpress.com/2013/05/07/sabado-11-e-dia-de-falar-sobre-a-poesia-contemporanea/
Angélica Freitas e Annita Costa Malufe leram poemas e responderam a perguntas da conhecida jornalista, do público e do professor Ivan Marques (que também fez um trabalho marcante no jornalismo literário no programa Entrelinhas da TV Cultura), que expôs uma panorama da poesia brasileira do século XX e comentou poemas das autoras.
Um dos vídeos exibidos trazia parte do trabalho de Annita Costa Malufe com seu esposo, o compositor Silvio Ferraz. Este é um exemplo: https://www.youtube.com/watch?v=ewsHPnuYRlo
Já escrevi como Ferraz é um compositor altamente inspirado pela literatura (http://opalcoeomundo.blogspot.com.br/2011/11/desenhar-um-lugar-tropico-das.html). Com sua música, temos a exacerbação do inarticulado no texto poético dessa autora. Muito apropriadamente, além da deformação sofrida por sua voz pelos meios eletrônicos, ela sussurra algumas passagens de seu poema, com momentos de ininteligibilidade.
Penso que a aspiração à música, tão presente nos três livros de poesia da autora, Fundos para dias de chuva, Como se caísse devagar e Quando não estou por perto, encontra nessa parceria uma deriva interessante, pois sua poética tem origem, creio, na imagem de "jazz do coração" que Ana Cristina Cesar emprega no poema "Este livro", de A teus pés. Annita Costa Malufe estudou essa poeta, devemos lembrar, no mestrado e no doutorado, e sua dissertação foi publicada: Territórios dispersos: A poética de Ana Cristina Cesar (São Paulo: AnnaBlume; Fapesp, 2006). Creio que o que ela vê nesta poeta é o que deseja para sua própria poesia:
Não busquemos o que está oculto nas palavras, no sentido de um significado fixo, escondido entre as linhas, codificado. O poeta não busca colocar símbolos no papel, como sinais nas placas de trânsito: uma coisa substituindo a outra, uma coisa remetendo a outra especificamente determinada. Não é mais de um senso comum de que se fala, mas antes, de um senso múltiplo a ser construído, sentido sempre por se fazer e que não é único e nem unificável, mas sempre uma multiplicidade. [p. 107]

Em que sentido esta poesia poderia aludir ao que ouvimos no jazz? A pergunta impõe-se também quando lembramos que ele não é o idioma musical que Silvio Ferraz emprega nas parcerias com a poeta. Creio que uma resposta plausível estaria na estrutura dos poemas, que tantas vezes parecem com um improviso sobre certas palavras. Vejam, por exemplo, o início deste poema da parte VII de Quando não estou por perto (Rio de Janeiro: 7Letras, 2012):
só aquela cidade poderia me curar os passos
de um gato no escuro o gato preto só aquela
cidade o cheiro da boca do metrô eu estaria então
doente de uma espera sem nome um objeto
não identificado só aquela cidade o cheiro a
espera por um esquecimento buscar loucamente um [p. 150]

O fluxo poderia continuar indefinidamente, e o poema continuaria sendo uma "espera sem nome" pelo objeto que ele não agarrará, como outros poemas dessa autora que se interrompem em pleno fôlego. Quem procura objetos formais fechados não apreciará esta poesia, que nos convida a conhecer a voz do poeta no meio do processo do poema, que começou antes do primeiro verso e terminará adiante, quando não estivermos por perto.
Não se trata de qualquer jazz, portanto; talvez o que estes grandes músicos agrupados em torno de Miles Davis fizeram com Les feuilles mortes (a clássica canção de Kosma e Prevert) seja algo comparável: https://www.youtube.com/watch?v=SX4i9CieZYk. Os ouvintes que procuram o tema da música ficam perplexos...
Uma poética muito diferente é a de Angélica Freitas, sobre quem já escrevi (http://opalcoeomundo.blogspot.com.br/2012/10/angelica-freitas-e-o-tamanho-da.html) que também, no sábado, falou do impacto que lhe trouxe a leitura de Ana Cristina Cesar, ainda na adolescência. Espantou-se com o fato de que poderia se escrever "assim".
Imagino, porém, que a Ana Cristina presente na obra de Angélica Freitas não é a de Annita Costa Malufe. Para esta, A teus pés; para aquela, Cenas de abril, com seus poemas de caráter eticamente mais desafiador e de conteúdo menos deslizante. Lembremos, por exemplo, do início da primeira parte de "Arpejos", que foi publicado na célebre antologia que Heloísa Buarque de Holanda fez nos anos 1970: "Acordei com coceira no hímen. No bidê com espelhinho examinei o local. Não surpreendi indícios de moléstia."
A recusa ao sublime, ainda esperado na poesia pelo leitor médio, e a forma como o feminino aparece nesse livro de Ana Cristina Cesar ainda podem incomodar. A poesia de Angélica Freitas, em vários aspectos tão diferente dessa outra autora, gera incômodos semelhantes em leitores eticamente e/ou poeticamente conservadores, isto é, aqueles que desejam um papel de gênero tradicional para o feminino, bem como os que adotam uma visão tradicionalista do gênero poético.
Ivan Marques comparou um poema do primeiro livro de Angélica Freitas, Rilke Shake (São Paulo: Cosac Naify, 2007), com seu modelo: "O grande desastre aéreo de ontem", de Jorge de Lima. Angélica já contou a histórias várias vezes e voltou a fazê-lo para aquela plateia do sábado: em uma oficina de poesia, Carlito Azevedo propôs como exercício escrever um poema a partir da visão de um dos personagens desse poema de Jorge de Lima. Ela escolheu o violinista. Escrito o poema, "o que passou pela cabeça do violinista em que a morte acentuou a palidez ao despenhar-se com sua cabeleira negra & seu stradivárius no grande desastre aéreo de ontem", que ela, inicialmente, não queria apresentar, Carlito Azevedo percebeu que estava diante de um grande talento e deu-lhe o incentivo e a oportunidade de publicar o livro de estreia.
Bartók, Rita Lee, Stravinsky, notas musicais e outras coisas passam pela mente do músico (pela enumeração, sabemos que certamente não era a grande Ginette Neveu - http://www.youtube.com/watch?v=ThHPPOoSAwQ, morta em um acidente do mesmo tipo, quem inspirou a poeta) antes da morte, anunciada com humor: "que o chão é lindo & já vem vindo/ one/ two/ three".
No sábado, ouvimos o desabafo de Angélica Freitas de que não seria cobrada da mesma forma se escrevesse contos: "Por que em um poema não pode entrar Rita Lee?"
Compreendo perfeitamente a autora. Há fiscais da alfândega que querem determinar o que pode entrar no território poético. Trata-se de burocratas que querem passar por poetas ou críticos.
Com esse tipo de reação, entende-se que professores de literatura (digamos) que já escreveram coisas inteligentes possam falar que o próprio título do segundo livro de Angélica Freitas, “Um útero é do tamanho de um punho”, não é poesia, pois um útero é mesmo desse tamanho!
Contudo, precisamente esta é a força de Angélica Freitas: da mera constatação biológica, retirar, pela simples transformação do contexto (em um texto médico e em um livro de poesia, a frase não possui o mesmo sentido, óbvio), em imagem de um feminino pronto para o combate, nem que seja apenas para um murro no nariz desses burocratas.
Veja-se também a força de Ana Cristina Cesar, que informa tantas poéticas diferentes de hoje, como as de Annita Costa Malufe e Angélica Freitas que, devo ressaltar, não imitam esta autora, possuem voz própria. Elas tampouco esgotam o rol de poetas influenciados, que inclui autores homens.
Veja-se como Ana C., ela mesma, é vária, não se limitando à imagem redutora que Luciana di Leone descreveu e criticou como "o mito que proliferou na academia e na crítica, o sujeito inapreensível mascarado nos diferentes eus do texto, a significação aberta, a voz em permanente devir e a autora - genial - que consegue deslizar de qualquer definição." (Ana C.: As tramas da consagração. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2008, p. 92).

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Angélica Freitas e o tamanho da insurgência

No antigo K Jornal de Crítica (n. 10, abril de 2007), eu havia escrito uma crítica sobre livros de Angélica Freitas, Ricardo Domeneck e Marília Garcia (segundo a ordem do meu gosto), que haviam sido lançados na coleção Ás de Colete da Cosac Naify. O meu preferido foi Rilke Shake, a estreia de Angélica Freitas.
Alguns narizes foram torcidos para o que escrevi, do sul ao nordeste, pelo pouco de que fiquei sabendo, não só em razão de  minhas limitações críticas. Houve uma certa resistência ao humor da autora - estes poetas contemporâneos brasileiros são tão seriosos! - e de um subjacente machismo dos poetas avançadinhos.
Nesta quarta-feira, em São Paulo, será lançado o segundo livro da autora, Um útero é do tamanho de um punho, na livraria da vila da rua Fradique Coutinho:
http://revistamododeusar.blogspot.com.br/2012/10/sao-paulo-lancamento-do-novo-livro-de.html
 Gostei muito dele. O livro vai além do primeiro, mantendo, em geral, o mesmo tipo de verso e as mesmas sonoridades (como a rima colgate com fagote). Sua política de gênero está presente desde o título e surpreende já na epígrafe, tirada da Ópera dos três vinténs, de Brecht e Weill:
http://www.youtube.com/watch?v=Ec0clERjQ5A
E para quê? Para anunciar que o feminino que é motivo do livro não é nada submisso. Se a Amélia, antiquada figura da mulher, aparece, é porque "fugiu com a mulher barbada" (p. 24), no engraçado e terrível poema com que termina a primeira parte do livro, "Uma mulher limpa". Este começo apresenta figuras femininas de enquadramento e de revolta à salubridade da ordem vigente. No mesmo poema as duas reações podem aparecer, como o da página 20, que começa com "uma mulher gostava muito de escovar os dentes" e termina com "ao cuspir sentia-se muito melhor".
"Mulher de", a segunda seção, apresenta satiricamente vários tipos: mulher de malandro, de um homem só, de posses (com uma citação marota de Elizabeth Bishop), de regime... Na etapa seguinte, "A mulher é uma construção", há mais sátira e tiros certeiros:

a mulher é uma construção
deve ser

a mulher basicamente é pra ser
um conjunto habitacional
tudo igual
tudo rebocado
só muda a cor

particularmente sou uma mulher
de tijolos à vista
nas reuniões sociais tendo a ser
a mais mal vestida (p. 45)
O lírico "eu durmo comigo" encerra a série e prepara o poema longo que dá título ao livro, de interessantíssima construção, que combina dados biológicos sobre o útero, uma língua do i, lista de úteros famosos (isto é, mulheres), paródias de discursos familiares sobre as mulheres pra explicar "para que serve um útero quando não se fazem filhos" (p. 59). A explicação - o próprio poema e seu questionamento da redução moral e biologizante das mulheres a funções reprodutivas - é um tremendo soco poético, mesmo que ela escreva "um útero é do tamanho de um punho/ não pode dar soco" (p. 61).
Ao impacto desse poema, seguem as paródias de "3 poemas com o auxílio do google", construídos a partir de anáforas e compostos apenas de lugares-comuns. No terceiro, temos "a mulher quer ser possuída/ a mulher quer um macho que a lidere" até "a mulher quer ser suicidar" (p. 72).
A penúltima seção do livro é uma declaração de amor chamada "Argentina", em que a questão de gênero não deixa de aparecer:

os churrascos são de marte
e as saladas são de vênus

me dizia uma amiga que os churrascos
cabem aos homens porque são feitos
fora de casa

às mulheres as alfaces
às alfaces as mulheres

que alguém se rebele e diga
pela mudança de hábitos

assar uma carne no forno
seria um paliativo não seria uma solução
que suem as lindas na frente da churrasqueira
e que piquem eles as folhas verdes (p. 76)
E ela reivindica, a sua maneira, a identidade de poeta daquele país: "bueno, soy 1 poeta brasileña" (p. 80).
Outro poema longo, "O livro rosa do coração dos trouxas", encerra o livro. O tema do amor de uma mulher por outra, central para esta poesia, encontra nesse poema sua melhor expressão desde o primeiro livro. A repetição dos papéis de gênero é questionada:

as mulheres são
diferentes das mulheres
pois
enquanto as mulheres
vão trabalhar
as mulheres ficam
em casa
lavando louça (p. 85)
Lemos então uma história de amor que não chegou ao casamento, que não obrigou a família a ter de unir suas filhas diante da sociedade pelotense.
Essa construção de uma identidade feminina insubmissa, que deseja uma felicidade que necessariamente incomodará a ordem ("uma mulher suja/ incomoda incomoda/ muito mais", p. 16), e cujo desejo não cabe no google, encontra um bom paralelo no projeto gráfico de Tereza Bettinardi, que aproveita imagem de Anna Maria Maiolino: há muito do universo feminino nos fios retratados, mas eles não se fecham no dócil ato doméstico da costura, e sim apontam para o que não se pode configurar, exceto em insurgência.
Aconselho alegremente a leitura do livro, bem como do anterior. Abaixo, reproduzo a parte da resenha de 2007 que tratava de Angélica Freitas:




Duas estreias, três poetas e o outro inumerável: Angélica Freitas, Marília Garcia e Ricardo Domeneck


Rilke Shake de Angélica Freitas revela um nome novo na poesia brasileira. Pode-se perceber que se trata de um livro de estreia pela heterogeneidade dos elementos: o livro, que inclui até mesmo boa poesia infantil (p. 26 e 45), tem desníveis, pois os poemas de reminiscência são mais fracos (p. 10, 13 e 31). O melhor do livro, contudo, é muito bem urdido.
Formalmente, destacam-se os versos geralmente curtos, o ritmo corrente e o uso da rima, algumas vezes surpreendente e com efeito cômico: “as estrelas dançam no piche/ [...] / e danço que nem dervixe” (p. 39); “entre os ringues polifônicos e a queda da marquise/ morreu ontem executada a poor elise” (p. 55), “que o chão é lindo & já vem vindo” (p. 15), “quem acreditaria/ nesta versão dos fatos? ajudem-me, maragatos” (p. 8).
Há traços de pertencimento e ruptura. O pertencimento a uma tradição, nesta poesia, não se dá pela repetição de moldes ou pela subserviência mistificadora, mas pela inscrição de marca própria. O poema de Jorge de Lima O grande desastre aéreo de ontem é relido segundo a perspectiva do violinista em queda (p. 10-11). Veja-se o que acontece com a antropofagia relida quase cem anos depois no poema de entrada: “Dentadura perfeita, ouve-me bem:/ não chegarás a lugar algum./ são tomates e cebolas que nos sustentam,/ e ervilhas e cenouras, dentadura perfeita./  ah, sim, Shakespeare é muito bom,/ mas e beterraba, chicórias e agrião?/ [...] dura demais é a vida, dentadura perfeita,/ mas come, come tudo o que puderes,/ e esquece este papo,/ e me enfia os talheres.” (p. 7); o poeta sabe-se menos nutritivo do que o agrião, mas se oferece ao repasto e, no poema seguinte, ao furto: os livros dizem “roube-nos” (p. 8). Humor, e melhor do que o do trocadilho que dá título ao livro.
A ruptura de Angélica Freitas consiste em criar uma tradição própria no tocante ao gênero e à orientação sexual. As observações desta poesia são muito finas: em poema a respeito do homem-aranha, uma criança vê uma mulher no alto de um edifício: "mamãe, mamãe/ é a mulher/-aranha?/ não seja tola/ ela está/ limpando/ janelas" (p. 47) Dessa forma, a menina aprende os papéis reservados ao seu gênero: não o heroico, mas o doméstico - o exterior dos vidros não foge à domesticidade.
Dois dos melhores poemas do livro encenam as diferenças de gênero: sashimi e sereia a sério: a "ocupação tão masculina" de sushiman, de "retalhar/ melhor o peixe" (p. 22) e, do outro lado, a sereia que "pisa em facas quando usa os pés" (p 23): "melhor seria um final/ em que voltasse ao rabo original/ e jamais se depilasse// em vez do elefante dançando no cérebro/ quando ela encontra o príncipe/ e dos 36 dedos/ que brotam quando ela estende a mão" (p. 24). Cada um está do lado oposto da faca. A sereia, por sinal, é revisitada em o que é um baibai? (p. 41) e vira um arquétipo da mulher em pequenos retratos até a Lorelei com celular fazendo bipe sob as águas do Reno.
Chegamos aos poemas de mulher para mulher, campo ainda magro na poesia brasileira: a relação entre Elizabeth Bishop e Lota Macedo Soares ganha um poema elegíaco (liz & lota, p. 29). Destaca-se o antológico ciclo da página 32 a 37, a que o poema da 38 serve de apêndice: "gertrude stein tem um bundão chega pra lá gertrude stein [...]/ gertrude stein daqui pra cá é você o paninho de lavar atrás da orelha é todo seu da qui pra cá sou eu o patinho de borracha é meu [...]" (na banheira com getrude stein, p. 32); no epílogo, com ninguém menos do que Stein, Alice B. Toklas, Josephine Baker e Djuna Barnes, chega Ezra Pound: "lésbicas são um desperdício ele disse/ você já ouviu falar em mussolini?" (p. 37) - a relação entre homofobia e fascismo é desnudada.
Este mundo está muito distante da tragédia por trás de cortinas da poesia de Ana Cristina Cesar - que gerou poemas tão poderosos como 21 de fevereiro de Cenas de Abril. Em Angélica Freitas, o júbilo é possível e gera uma poética própria: o poema de amor siobahn 4 apresenta uma namorada celta em quatro partes - uma posição amorosa em poesia: "às vezes ela ficava/ de quatro, o símbolo/ celta nas costas" (p. 50) - até a elegia da quinta parte: "será que também pergunta/ o que aconteceu// com as boas garotas/ de sodoma, essas que/ sempre// se beijavam nas escadas/ sumiam nas bibliotecas/ preferiam virar sal?" (p. 51).